sexta-feira, 30 de abril de 2010

A praga do século

O telefone celular é a praga do século!
Pela quantidade e pela falta de etiqueta com que as pessoas o usam.
O baixo custo e o barateamento galopante dos aparelhos fizeram com que uma vasta camada de gente sem o menor polimento social passasse a usá-lo, a ponto de orelhões entrarem em desuso e cartões de telefone passarem a ser peças de colecionador.
Gente que ainda não aprendeu a comer de talher usa impunemente o celular!

Hoje mesmo me aproximei de uma prateleira de supermercado para olhar uma mercadoria quando levei o maior susto: uma jovem que passava pelo corredor atrás de mim gritou em alto e mau tom palavras desaforadas, provavelmente ao namorado, ou quiçá, infeliz marido, a ponto de todos se virarem como a procurar de que fonte vinham os impropérios.
Dirigi-me à prateleira das frutas mas não conseguir nem escolher uma banana. Bem em frente, defronte às laranjas, uma desvairada duelava verbalmente pelo telefone aos gritos com a mãe. De longe, julgar-se-ia uma louca a chamar as surdas laranjas a gritos de “mamãe, me escute...”
No cinema, no melhor da cena, tem sempre um rebelde que, apesar das advertências iniciais explicitadas na tela antes do início do filme, não o desliga e atende-o nem que seja prá combinar qualquer programa depois da sessão.

No trânsito e nas estradas, envolvem-se em acidentes atendendo celulares.
No trabalho, todos os colegas já sabem dos pormenores e dos podres da vida de todos de tanto se ouvir confidências em celulares.
O chato mesmo é estar parado em alguma fila e ouvir  um chato desfiando pelo aparelho um papo não menos chato, discursivo e interminável, que se arrasta mais lento que a própria fila.
Com introdução de planos pelas operadoras, democratizou tanto que apareceu um fenômeno quase impossível há algum tempo atrás: o trote pelo celular. Faça seu plano pela operadora X, pagando apenas míseros reais e fala de graça para qualquer telefone fixo... e aí a vagabundagem que além de se drogar não tem o que fazer, liga prá você pelo simples prazer de lhe tirar, de lhe trotear! Pelo tamanho cada vez menor e a facilidade de se introduzir em presídios, até o vice-presidente da República do Brasil, o honrado e sereno Sr. José Alencar, foi vítima recente de sequestro virtual de presidiários portadores de celulares, apesar de proclamados “esforços” de autoridades para acabar com esse crime que aumenta a cada dia.

Celulares deveriam vir acompanhados de um manual de etiqueta para seu uso. Deveriam ser vendidos junto com um contrato com algumas regras sociais de utilização. E uma advertência do tipo: “o descumprimento dessa etiqueta básica pode acarretar a apreensão do aparelho por órgãos competentes”.
Acho a televisão muito educativa.
Todas as vezes que alguém liga o aparelho,
vou para outra sala e leio um livro.
Groucho Marx

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tele-aversão



Para sentir a mediocridade da TV aberta (e até de alguns canais da fechada) em toda sua plenitude é preciso estar acamado por um motivo qualquer, uma gripe, por exemplo, e sem mais opções no PC, ligá-la a qualquer hora!
À noite ou aos sábados e domingos, nem pensar. 

Caju chupado, bagaço, guião, copião, dejá vu!
As novelas, com raras exceções, não passam de nhem-nhem-nhem e papo furado de mocinhas para moiçolas ou senhoras desavisadas, mal acostumadas ou viciadas em quem está de caso com quem, quem bota chifre em quem...
Sem falar em intervalos longos para anúncios repetitivos e gritantes, tentando lhe vender alguma coisa estuprando seus ouvidos, como se tentassem penetrar à força no seu cérebro pelos orifícios auriculares!

Você liga e depois de alguns minutos a disparar o controle de canais acima e abaixo, vem a sensação de impotência. A seguir, a de abandono, helpless. Depois a chateação que vira impaciência até a impaciência atingir o limiar do ódio, no ponto próximo do prejuízo de atirar um cinzeiro, um jarro ou até uma cadeira na pantalha luminosa e estúpida, brilhantemente estúpida.
Alguns programas locais exploram sadisticamente a violência urbana. Sua TV se tinge de vermelho e um lixo social derrama-se sobre sua casa!
Se se acamar, melhor não ligá-la. Leia algo, nem que seja o jornal de ontem...
Ou como disse Groucho Max: "Acho que a televisão é muito educativa! Todas as  vezes que alguém liga o aparelho vou para outra sala e leio um livro..."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A tarde desce com o sol e só, da minha varanda, observo os carros, aves de arribação metálicas, em revoada não se sabe para onde, congestionando o trânsito e liberando o pó cinza com que a cidade se maquia.
Ligo o som e ouço o “Prelude d´après-midi d´un Faune”, de Debussy, o que fez música pra incensar, relaxar e colorir as tardes e quiçá, as noites dos amantes.
Ouço motoristas que buzinam estressados e percebo que lhes falta um Debussy no player do carro.
Claude Debussy, francês de formação musical de conservatório,  viveu apenas 56 anos, de 1862 a 1918 e era essencialmente um impressionista, mesmo não sendo pintor deve ter tido forte influência dos movimentos pictóricos impressionistas da época.

Mesmo impressionista sua música não é descritiva, ela apenas dá cor ao som à harmonia, aos ouvidos. Pode até sugerir clarões azulados de raios de luar em “Clair de Lune”, mas como todo bom impressionista abstrato, é isso que ele faz: apenas sugere paisagens-tempo-espaços em forma de som. Podemos até sentir o calor e o vapor de uma tarde modorrenta, como, por exemplo, quando se ouve “As Estampas”! Ou os tons verdes de “Homenagens aos arbustos” ou ainda as cores  brilhantes e cristalinas de “Reflexos sobre as águas”.

Diz-se que frequentava os saraus de Mallarmé, aonde acorria a nata intelectual e artística da época, mas parece que sua maior influência foi mesmo da música oriental da qual se impregnou bastante durante as apresentações orquestrais na  grande exposição internacional de Paris em 1889. Antes disso, quando tinha apenas 27 anos, recebeu o Grande Prêmio Romano de composição e viajou para a Rússia, quando teve contato com Mussorgsky e sua música (“Quadros de uma exposição”, gravado até por bandas de rock and roll), principalmente a “Abertura da Páscoa russa” com seus acordes dissonantes.

Ouvindo o “Prelúdio na tarde um Fauno” sinto claramente que a música clássica moderna começou aí. Percebe-se porém que seu impressionismo pleno só aparece quando a orquestra participa com volume maior em segundo plano ao piano, mas o piano é sempre o astro principal, o carro-chefe, o band–leader. Sem ele não haveria Debussy nem esse poder relaxante de sua música, serena apesar de sua conturbada vida pessoal e conjugal e do câncer consuntivo dos seus últimos meses de vida. Disse o intelectual francês, Jean Cocteau sua música era para ser ouvida com a cabeça reclinada sobre as mãos...

Prelude, Clair de Lune, Arabesque, Reflexes sur l´eau são obras que sugerem os títulos e lhe transportam à sugestão, sem as cadências musicais rítmicas e repetitivas (se perdeu o caminho, pegue outro) da herança barroca de Bach, clássica de Mozart ou romântica de  Beethoven. Debussy é único em lhe conduzir a estradas onde visão e audição se completam.
Se for à farmácia comprar um benzodiazepínico, não vá: ao invés, compre um CD/DVD/Bluray/MP3, MP4, o que quer que seja, e relaxe com o barato da música de Debussy.
Se está em casa sozinho ou até bem acompanhado, ligue-se, conecte-se e se transporte a um mundo musical de paisagens serenas e pessoas agradáveis como  “La fille aux cheveaux de lin” (“A moça do cabelo de algodão”).
Se não quer pressa em suas noites quentes, acenda o abajur e o som dos “Nocturnes” com suas cores lilás. 
Se no trânsito congestionado, descongestione-se com os “Arabescos” (o motorista da frente agradece). Não se importe com os pequenos espaços de silêncio – o silêncio também faz contraponto com todas as boas músicas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

E haja feriado!

Mais um feriado nacional, quase feriadão!
Trabalhadores, funcionários e assalariados agradecem e se bendizem por mais um dolce fare niente no país dos feriados. Classes produtoras, bancos, indústria, comércio, profissionais liberais e cidadões esclarecidos, não, porque sabem dos bilhões de prejuízos implícitos.
O governo, deixando de arrecadar outros tantos milhões, fecha os olhos; sabe que amanhã arrecadará muito mais. Quatro dias de repouso, muito álcool e balada na recente Santa Semana não são suficientes! Afinal ninguém é de ferro, dizem.

Analisemos friamente esses feriados. O da semana dita “santa”, por exemplo – o país tem atualmente uma população de não católicos já beirando os 50% que não participa das liturgias católicas. Dos católicos, ainda maioria por pura estatística declarada em censo do IBGE e não por devoção, mais da metade também não participa dessa liturgia, prefere ao invés de procissões e cânticos, as liturgias pagãs: culto a Baco e às deusas do axé. Uma minoria insignificante, que por sinal nem trabalha, composta de idosos e crianças, comparece ao chamado de suas paróquias, principalmente as coloniais paróquias mineiras. Prá que o feriado então? E porque nem em Roma é feriado?
Difícil para os políticos cutucarem os calos da Católica Apostólica Romana. Quem se atreveria? E porque se eles próprios aproveitam os santos dias para visitar suas santas bases políticas ou o refresco dos mares do norte e do  sul? Sem contar os que adoram os holofotes da mídia e aparecem na TV levando nas costas o andor de Jesus crucificado, como se ele próprio fosse um penitente.

Mal a gente se recupera de uma santa semana e vem logo a seguir outro feriado nacional: 21 de Abril! Dia da independência? Não, claro, dia do mártir da independência. Quem mesmo? Um dentista, (ou seria alferes?), bode expiatório de um movimento de revolta contra a “derrama” , imposto que sugava os ricos produtores (exploradores de minas e latifundiários) da colonial Minas Gerais, sediados em Vila Rica ( o nome já dizia tudo!).
Um movimento para libertar a nação do jugo imperial português? Não, Apenas um movimento de ricos senhores protestando contra a dita derrama, auto denominado “Inconfidência Mineira”, ou seja, contra impostos escorchantes tais quais esses que eu e você pagamos atualmente, tão ou mais elevados que os da antiga “derrama”...Que tal se aparecesse uma nova Inconfidência, uma “inconfidência nacional”, com uns 20 a 40 milhões de assinaturas de protesto contra essa derrama oficial gerenciada fria e rigidamente por uma entidade quase anônima denominada  receita.fazenda.org.br?

O dito herói da dita Inconfidência mineira morreu para acabar com a derrama a nível nacional? Não, simplesmente contra altos impostos pela Corôa sobre ouro, diamante, outros minérios e compra de escravos nas Minas Gerais.
Porque o feriado nacional? A “derrama” nacional dos impostos foi abolida”? Não, claro. Essa Inconfidência não passava de um movimento regional, quase local, onde só os grandes burgueses, mineiros e fazendeiros entravam. Era um movimento nacional? Não. Era um movimento popular? Não. Porque então esse feriado? Comemoramos o que afinal? Até em Minas, atualmente, se comemora mais a vida e a morte de Tancredo Neves, o político de profissão e dinastia, do que propriamente a tal inconfidência.
Porque o feriado, repito a questão. Apenas para mais uma folguinha, mais uma bebedeira, mais um dia de sol, de faxina ou de praia, de muita cachaça e cerveja, abuso de drogas e aumento da criminalidade e da pletora de vítimas da violência nos corredores dos hospitais de urgência. Querem festejar seus pseudomártires? Que festejem, mas em nível regional ou mesmo estadual. Como no Ceará, por exemplo: o dia de S.José é um feriado apenas estadual.

Prestou atenção ao que escrevi acima? Pseudomártires... Eu até que acreditava na boa intenção dessa cambada revoltada, mas depois que folheei o livro do historiador André Figueiredo Rodrigues, “A Fortuna dos Inconfidentes”,  uma pesquisa histórica exaustiva, (baseada não em ficção mas em documentos), alguns  parágrafos já foram suficientes para que minha crença histórica nessa estória caísse por terra! Vários dos mitos, além de terem pés de barro, deveriam ter nas mãos algemas: eram corruptos e alguns, inclusive, faziam a festa com o dinheiro público. O que eles queriam mesmo era burlar impostos imperiais em benefício próprio! 

Um tal Alvarenga Peixoto, que se dizia poeta, comprou um cargo de ouvidor e embolsou uma quantia enorme de dinheiro que ele dizia se destinava à luta contra espanhóis no Rio Grande do Sul! Bárbara Heliodora, sua mulher, é tida como heroína, pois após o “sacrifício” dos inconfidentes, ficou pobre e louca, vagando pelas ruas de Vila Rica... pura poesia! A tal Bárbara, segundo Rodrigues, permaneceu viva e muito viva, tinha muito dinheiro escondido no mocó, comprou fazendas e deixou uma enorme e abastada descendência.
Afinal, prá que o tal feriado de 21de Abril então? Só o macaco explica...




sexta-feira, 16 de abril de 2010

A vida de David Gale - você morreria por uma idéia?

É possível alguém morrer por um ideal? Bem, mártires sempre existiram, desde a mais remota antiguidade. Acredito, porém, que o mártir quase nunca espera o desfecho final. O mártir é o herói que não deu certo... E não confunda mártires com fanáticos. Como, por exemplo, homens-bomba terroristas que dão a vida por uma causa, na esperança de que ao morrer, sua alma vai direto para os braços de um Alah partidário e defensor do mundo muçulmano. Esses não são idealistas, nem estão dando sua vida por uma causa ou para ajudar a humanidade, estão pensando egoisticamente em si mesmos, em passar desta para melhor, de uma situação material que não talvez não seja lá grande coisa, para uma situação espiritual onde realmente acredita que usufruirá das benesses de um Alah todo poderoso. Do mesmo modo como os aviadores japoneses Kamikases da 2ª guerra mundial o faziam, pilotando seus aviões contra os aviões americanos. 

É mesmo provável que alguém da classe média, vivendo confortavelmente no mundo moderno, de educação acadêmica, possa sacrificar a própria vida por uma tese, uma tese sociopolítica dentro de uma organização que defende a abolição da pena de morte, morrendo por uma idéia?

Bem, se alguém que faz parte da organização e vive na linha de pobreza, tem gostos refinados e quer sair dessa para uma situação melhor, e pode colaborar com os mártires, sim.

Se alguém tem uma doença degenerativa grave, uma leucemia, por exemplo, com poucas chances de sobrevivência, e quer fazer de sua vida um motivo para corroborar sua tese, sim.

Se alguém era um professor universitário, expulso por falsa acusação de estupro de uma estudante, e, por isso mesmo separado da mulher e impedido de ver o filho que ama, envolvido no dito grupo anti pena de morte e num crescendo alcoolismo que nem o AA foi capaz de curar... Talvez...

Para saber o resultado, e principalmente se a tese que citei inicialmente pode acontecer, aí você vai ter de assistir a esse filme com Kevin Spacey e Kate Winslet - um thriller de ação, suspense, conteúdo e emoção, num filme de 2003: “A Vida de David Gale” – (quando o crime é evidente e a verdade, não) do escritor, ator britânico e diretor Alan Parker (o mesmo de “Evita”, “Asas da liberdade” e “Pink Floyd, the Wall”).

sábado, 10 de abril de 2010

Revendo "Terra em Transe"

Revejo “Terra em Transe”, o antológico filme brasileiro de 1967, direção e roteiro de Glauber Rocha.
Embora Glauber se achasse, e se levasse demais a sério com suas metáforas corajosas para a época, falta-lhe a verve e o biscoito fino que alimenta os cinéfilos, talvez devido à própria época de chumbo em que o filme foi feito e talvez porque o próprio roteiro bate de frente. Eis o grande mérito!

Et pour cause, “Terra em Transe” é pesado, diria quase depressivo! Uma linguagem rápida jogada na cara do freguês sem muita transpiração, como convinha à época, “comme Il faut”...

Dramático mas ao mesmo tempo excessivamente teatral. Caberia melhor num palco. Mas Glauber fez da telona seu palco, seu palco de protesto. Planos em conjunto, mas muitos primeiro planos, closes para diálogos mais próximos do auditório.

Percebo que  essa “Terra...” é uma mistura de  Macbeth tupiniquim com um Falstaff terceiro-mundista!  Um recital anímico de poesia política. Percebo como é bom ver um filme antológico anos depois que a poeira de estrelas senta.

Assusto-me com diálogos proféticos e geniais que podem abranger mais uns cem anos de América Lat(r)ina. A impostação das falas pode soar falso mas Deus sabe como foram verdadeiras para a história.
“Terra em Transe” é um flash verbal da ascensão e queda de um Presidente de República “bananeira” – poderia ter sido Getúlio, Jânio, Jango ou mais cem outros desse continente tão marcado por sua cultura colonial, onde não faltam pelegos, bajuladores, arrivistas, aproveitadores, maquiáveis e richelieus, na sempre fictícia república de Eldorado, onde Porfírio Diaz e Julio Fuentes continuam por aí, mais vivos que nunca.

Como o rever filmes pode ser instrutivo e compensador para o ego! Como o distanciamento temporal estimula nossa visão e senso crítico!
Posso até extrapolar, a partir de uma ótica pessoal, que “Terra em Transe” não é um filme, é um documentário artístico-histórico-teatral, como os antigos teatros Kabuki  chineses. Posso até, estando mais longe do mito, dizer que Glauber não foi tão genial assim como cineasta, mas sim como profeta de seu tempo e como um artista corajoso, que apesar do clima que rolava, teve peito para dizer o que queria em cinematográficos monólogos.

E como é gratificante ver monstros sagrados como Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Gracindo, Hugo Carvana, Jofre Soares e outros, todos juntos, dando shows de interpretação!

No “The end”, resta só lamentar a partida tão prematura de Glauber em hospitais d´além-mar.

Pensamento-Testamento de Glauber em "Terra...":
* O gênio é eclético - constroi seu mundo a partir de todos os mundos conhecidos.
* A arte é um traço de união entre duas reticências...
* Uma obra quando transcende o tempo, mesmo com elementos de passado e presente, aparenta incompreensão.
* Quando as verdades não vêm rotuladas com ismos tornam-se proféticas.
* Cinema não é teatro - teatro é diálogo.
* Cinema não é literatura - literatura é praxe.
* Cinema não é TV - TV é o casuísmo passageiro.
* Cinema é apenas cinema.


31 de março - in (triste) memoriam

Águas distantes  de Março



Bocas de forno,
forno.
Tirando tudo,
tudo.
Levando bolos,
bolo.
Jacarandás – já
(nas costas).
Quando mandarem,
vão.

E se não for,
apanham,
apanham,
apanham.

Remanim, remanim...
Assim vão os meninos
em suas brincadeiras
ditas duras.
Eternas bocas de forno
quando adultos
perdidos num março
longínquo e morno
cujas águas jamais passarão
em suas lembranças.

Winston

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Parêntese para Martha Medeiros


"A gente procura o sentido da vida em tudo: nos livros, na religião, nos índices da Nasdaq! A gente quer entender. A gente quer um porque.
Pedro Almodóvar vem e diz: não tem porque, ou melhor, não tem só um... A vida é uma salada de emoções, piadas, lágrimas, sexo, pileques, encontros em elevadores e desencontros.
A vida não é tão arrumadinha como a gente gostaria: é um caleidoscópio.
Colorida. Rápida. Absurda. Engraçada. Trágica. Indecente.
A vida é latina."


(Martha medeiros, em: "Non-Stop" - Crônicas do cotidiano)
Ed. L&PM Pocket.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Laranja Mecânica



Quando assistí ao filme “Laranja Mecânica”,   A Clockwork Orange ), filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick, adaptação do romance homônimo de 1962 do escritor inglês Anthony Burgess, ambientando num futuro próximo e indeterminado), choquei-me “ad nauseam”, quase um pânico, seguido de uma grande ansiedade, pois tive a certeza: aquilo prenunciava o século XXI. 
Era o prenúncio de um estado de coisas, a profecia maldita de um próximo século dominado pela violência gratuita, pela psicopatia indiferente, pela alienação e pela droga, por uma juventude irremediavelmente perdida e existencialmente vazia, para quem uma Sinfonia de Beethoven é apenas um pano de fundo sonoro para cérebros delinquentes.
O filme mostra a vida de um jovem chamado Alex De Large, (no filme o ator Malcolm McDowell), cujos gostos variam de música clássica (Beethoven), a estupro e ultraviolência. Ele é o líder de uma gang de arruaceiros, aos quais se refere como "druguis" (palavra originária do russo druk, amigo, mas com referências à palavra drugs). Alex é irreverente e abusa dos demais; mente para seus pais para faltar da escola.
“Alex leva seus droogs a invadir uma casa, golpeiam um escritor que nela vive e estupram sua esposa, enquanto cantam Singin' in the Rain. Alex lida com uma tentativa de golpe de um seus subordinados droogs.
Depois de faltar às aulas, seduz duas adolescentes em uma loja de discos, leva-as para sua casa e tem relações sexuais com ambas.
Posteriormente é capturado durante um assalto, traído por seus droogs (um ao qual Alex tinha cortado a parte superior da mão direita por ter desrespeitado sua autoridade na gang). Alex é golpeado no rosto com uma garrafa de leite e fica cego, de forma temporária, na cena do crime. Essa cegueira permitirá sua captura. (Só uma cegueira poderia fazer isso!).
Depois de ser preso, descobre que a vítima do roubo morreu, tendo sido sentenciado a 14 anos de prisão.
Após de ter cumprido apenas dois anos (!) de prisão, ele consegue a liberdade condicional, e se submete ao tratamento "Ludovico", uma terapia experimental de aversão, desenvolvida pelo governo como estratégia para deter o crime na sociedade. O tratamento consiste em ser exposto a formas extremas de violência, como ver um filme muito violento. Alex é incapaz de parar de assistir, pois seus olhos estão presos por um par de ganchos. Também é drogado antes de ver os filmes, para que associe as ações violentas com a dor que estas lhe provocam.
Sem a capacidade de se defender, e por sido desalojado por seus pais, desanimadamente perambula por Londres. Encontra velhas vítimas e dois de seus antigos droogs (agora policiais (!)) que lhe golpeiam e quase afogam.
Vaga pelos bosques até chegar à casa do escritor cuja esposa havia estuprado. O escritor o deixa entrar antes de descobrir sua identidade; logo, droga a Alex através de uma garrafa de vinho que ele o faz beber e tenta fazê-lo se suicidar tocando uma versão eletrônica da Nona Sinfonia de Beethoven. Alex se joga de uma janela, mas sobrevive.
Depois de uma grande recuperação no hospital, Alex parece ser o de antes. O governo oferece a Alex um trabalho muito bem remunerado.“
Tive plena certeza de que “Laranja Mecânica” era o prenúncio do início do ciclo da violência, da impunidade, da leniência dos governos e das leis e de métodos ridículos de recuperação de presos... senti que dalí prá frente iria começar o salve-se-quem-puder, a loteria da insegurança para os cidadões comuns!
Anthony Burgess foi um visionário! Os artistas sempre foram e serão as antenas da raça!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Acorda Josué

Acorda sociólogo Josué de Castro e reescreve tudo. 
Eles nada entenderam, de Raiz a Raiz, para não falar em frio e fome, desde Frias, Paios, Guerras, Coelhos, Franciscanas e Cielos.
Voltei Recifinho. Da Ponte Velha, o visual infantil é o mesmo, tal qual um relógio sem ponteiros. Homens e caranguejos se perpetuam na lama. O homem, animal com rica sensibilidade neurológica na superfície corporal, bípede caminhante prá frente, enquanto o decápode, de revestimento caucáreo, com sonolenta aparência, anda prá trás e alimenta a panela dos que de cima da palafita eliminam dejetos no sansárico ciclo "come-defeca-come”.  

De Marx a Keynes, consolidado mesmo, só Lavoisier com o nada se perde e tudo se transforma. O que mais? Ah, lembrei! O caranguejo é portador de rara fenomenologia da natureza: o heteromorfismo. O que é isso?  É a substituição de um determinado orgão por outro totalmente distinto. Ou seja: quebrando seu olho, no mesmo local nasce uma pata, daquelas que adoramos com farinha e cerveja. E daí? Quem sabe se, arrancando as palafitas, nascerão hotéis como os de Dubai?  
Perdão, Josué, só resta fantasiar. Caranguejo e cerveja para todos...    

(Texto recebido por email de Gianni Antônio Lira Mastroianni -[giannimastroianni@terra.com.br])

Os esquecidos da Semana de Arte Moderna de 1922

A semana de arte moderna que revolucionou a arte e a cultura brasileiras ainda continua sua influência e aqui e alí é retomada em movimentos que pipocam nas artes, principalmente na música.
O Tropicalismo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, maestro Rogério Duprat, Tom Zé foi uma retomada típica dos movimentos da semana que mudou e mudará o Brasil por muitos anos ainda.
Movimentos Pau Brasil, Verde Amarelo, Anta, Antropofagismo, Tropicalismo são farinhas do mesmo saco. Derivam-se todos dos movimentos da Vanguarda Europeia do inicio do século XX, principalmente do futurismo de Marinetti, com raízes mais fincadas no Dadaísmo de Tzara, Picabia e outros, cuja praxe maior era a iconoclastia total dos ídolos franceses e seus deuses menores românticos e parnasianos. Uma destruição mais formal que conteudística. Uma tentativa de atualização moderna da forma mais que o combate ao fantasma romântico.

Proposta múltipla: destruir a roupa do romantismo naturalista à Hugo, Zola e Rousseau, travesti-lo com roupas modernas italianas e ao mesmo tempo de coloração verde-amarela para brincar um carnaval em todas as modalidades de arte, em todos os bailes da vida, durante uma semana, semana que perdura até hoje, fonte permanente de vários outros movimentos renovadores da estética!
Após quase um século da Semana, os movimentos ainda aparecem e desaparecem, quase todos com as mesmas características, seguindo o mesmo fio de raciocínio dos mentores da Semana, imbuídos do mesmo pensamento revolucionário, nacionalizante e modernizante na acepção plena e atual da palavra.

"Pipoca ali, pipoca além.
Desanoitece e amanhã, tudo mudou.” (Caetano Veloso)

Aparecem e desaparecem como fagulhas de uma memória nacional.
Alguns são injustiçados e prematura e perenemente esquecidos, demonstrando que a memória nacional é curta ou pelo menos tem os braços curtos, pois não atinge todas as regiões do país, sobretudo quando se trata de Nordeste. Mestre Joaquim Inojosa, por exemplo. Pernambucano, precursor e modernista, à época, nestas bandas. Quem dele se lembra? Porque não o citam? Porque não o divulgaram?
Em: “O Modernismo Brasileiro – A arte moderna”, Mestre Inojosa instaura em uma carta manifesto o modernismo no Nordeste brasileiro. A história desse movimento no Nordeste é relatada pelo próprio Inojosa tardiamente, em 1968 em : “O movimento modernista em Pernambuco”.

"Em fins de 1922, quando afirmei nesta c idade (Recife) que nada estávamos fazendo porque fazíamos tudo velho, acharam absurdas e até ridículas minhas asserções.  ...a renovação de que falo é inevitável e necessária.
Porque persistimos inertes ante a evolução do pensamento e das artes?
... estão chamando esse movimento modernista de futurista, mas no Brasil não há futurismo! ... A arte não tem passado nem futuro, tem presente. Realizemos a arte da hora atual. Guerra ao belo como objetivo único da arte."

Terá sido Inojosa um modernista marginal por sua nordestinidade? Ou por estar deslocado do eixo cultural café-com-leite Rio-Minas-São Paulo? Ou são os críticos e historiadores marginalizantes os marginais?


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Um Avatar imperdível


Não apenas uma fábula: o filme-cult da década transcende a fábula contribuindo para a evolução do cinema, tirando Holywood da mesmice, despojando-a do mito do american -way-of-life como ideal de vida. Ao contrário, é cheio de tags que apontam para uma nova maneira de viver a vida, uma maneira diferente do pensamento americano. O Avatar humano, que se transveste de outro ser mais humano, sem ser humano, mais espiritualista sem ser religioso, abre uma porta, pequena que seja, para a discussão maior: quem somos realmente, para onde vamos, que vida é essa e o que queremos desse planeta e nesse planeta. Com esse Avatar, Holywood talvez inicie seu processo de amadurecimento, inclusive formal. Avatar é a essência do que deve ser o cinema: realidade e fantasia levados às últimas consequencias, misturados e indistinguíveis, onde a forma de mostrar atinge patamares e mares nunca dantes navegados onde se tem a impressão de que o sonho ainda não acabou! Em 3-D então, uma experiência única, imbatível, o sonho passa a ser uma realidade. Para completar, uma bela história cósmica de amor, onde o amor se transporta para uma quarta dimensão, mesmo sendo a dimensão dos avatares. Como disse um crítico especializado: "Avatar expõe a natureza humana em sua diversidade, a relação do homem com a ciência, a religião, o capitalismo, a natureza e o cosmos..." Completo: Avatar confronta perante você os senhores da guerra e suas cruéis psicologias, o capitalismo e sua ganância. Fosse um filme qualquer, bastaria esse diálogo, mostrado em estéreo e bom som, com script inspirado em Bertold Brecht:
- "Primeiro eles chegam e gostam do que vêem. Depois se fazem de amigos. A seguir se tornam teus inimigos, invadem teu território e tomam o que vocês têm!"
(Quem serão os verdadeiros avatares da vida real?...)

Dados curiosos:
* Quase todo o filme foi elaborado por tecnologia informatizada, dirigido por Cameron ("Titanic") num galpão medindo apenas 200 m2, o mesmo onde Howard Hughes construiu seus primeiros aviões! Mesmo algumas cenas filmadas na Nova Zelândia foram feitas em estúdio fechado.
* James Cameron finalizou o 3D numa câmera especial construída por ele em parceria com um designer.
* As montarias em animais surreais foram feitas a partir de cenas de atores montados em touros mecânicos e trabalhados em softwares especiais.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Provérbio chinês

Há apenas duas coisas com que você deve se preocupar: se você está bem ou se está doente.
Se você está bem, não há nada com que se preocupar.
Se você está doente, há duas coisas com que se preocupar: se vai se curar ou se vai morrer.
Se vai se curar, não há nada com que se preocupar.
Se vai morrer, há duas coisas com que se preocupar: se vai para o céu ou para o inferno. Se vai para o céu, não há nada com que se preocupar.
Agora, se você vai para o inferno, você estará tão ocupado cumprimentando os velhos amigos que nem terá tempo de se preocupar...!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Picles de “Além de Darwin” – Reinaldo José Lopes (Editora Globo – 1ª. edição; 2009 - )

  • · A vida é um jeito tão natural de organizar matéria e energia que ela pode se estabelecer a qualquer descuido do cosmo.
  • · Se você, mulher, teve uma boa relação com seu pai na infância tenderá a achar mais atraentes os rapazes (pretendentes) que se parecem com ele (imprinting sexual). Não se trata de atração verdadeira (no sentido freudiano) mas de um imprinting de “modelo” (ou padrão).
  • · Porque a reprodução sexuada ao misturar e embaralhar gens de dois indivíduos diferentes cria combinações de DNA novas...e representam um estoque importante de novas soluções para enfrentar alterações (e interações) com o meio ambiente.
  • · Os seres vivos tendem a ficar fissurados apenas e tão somente por coisas que têm impacto em sua sobrevivência e reprodução.
  • · Alguns homens (grandes guerreiros, chefes tribais, etc.) tiveram sucesso em multiplicar exponencialmente a própria versão do cromossoma Y (característica puramente masculina) no mundo.
  • · O sobrenome mais comum na Irlanda (e Escócia) e em descendentes de irlandeses de outros países é “Ó Neill”, que é simplesmente uma forma modernizada de Uí Niall que significa descendente de Niall, em gaélico. Niall era um chefe guerreiro celta típico que fazia expedições guerreiras para capturar escravos e mulheres.
  • · Uma pesquisa verificou que no noroeste da Irlanda, a base tradicional dos Uí Niall, nada menos que um quinto dos homens carrega uma assinatura genética em seu cromossoma Y que pode ser remontada com razoável precisão até à época de Niall. No oeste e e centro da Escócia, a proporção ultrapassa os 15%!.
  • · Outras pesquisas do tipo (relativas à herança genética do cromossoma Y) foram feitas na Mongólia e no nordeste da China e revelou uma multidão de descendentes de Gengis Khan.
  • · A sobrevivência (do DNA) é um imprint tão forte que embriões têm “truques sujos” para extorquir a própria mãe que o gesta,! Uma das doenças mais comuns ligadas à gestação, a pré-eclâmpsia, é uma forma perigosa de pressão alta que está ligada a uma substância que o feto fabrica e lança na corrente sanguínea materna. Essa proteína impede que a mãe conserte pequenos danos nos seus vasos sanguíneos. Com isso sua pressão arterial aumente o que também aumenta a quantidade de sangue (com nutrientes) que chega até o feto via placenta!
  • A ciência pode entender como a fé se desenvolve mas o sentido que ela dá à existência humana está fora do alcance dos laboratórios... também é legítimo imaginar que a arquitetura de nossa mente anseia pela fé porque Deus quer ser conhecido ... Como o próprio Jesus disse: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!".

Isso é só uma amostra grátis extraída das primeiras páginas (total de 246) do livro “Além de Darwin”, de Reinaldo Lopes, colunista de ciências do portal G1.

Se gosta de biologia, entende um pouco de genética e quer se atualizar de uma maneira clara e ágil, como uma grande e elucidativa reportagem, corra e compre, que está esperando? (O meu, não empresto...)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

OBAMA RECEBEU O PRÊMIO NOBEL DA PAZ !


Em sua opinião, porque Obama recebeu o Nobel? 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Os alquimistas estão chegando!...

Fui a uma loja de discos comprar um DVD do Linkin Park e, surprise: sabe o que me ofereceram? Advinhou – um LP do grupo. Isso mesmo, um LP, isto é Long Playing, daqueles grandes de vinil apelidados de bolachão. Tudo bem, as capas eram (na maioria) bem elaboradas artística e graficamente, com lay-outs elaborados por designers gráficos de peso, com um papelão macio, com um plástico revestindo a capa e o disco. Mas depois de se ouvi-los algumas vezes, por mais cuidados, começava os chiados provocados pela agulha deslizando mecanicamente no sulco! Eis a diferença: o lazer é um raio, portanto a leitura é puramente eletrônica e sem o atrito mecânico da agulha deslizando sobre um prato girando a 33 e meia RPM – rotações por minuto. E quanto melhor a aparelhagem de som, mis chiados se poderiam ouvir.

Os mais sofisticados tinham mecanismos para diminuir os chiados: “companders”, equalizadores e câmaras de eco. Era a eterna busca pelo som perfeito, que só agora chegou com os Blu-Rays digitais. Os menos afortunados se acostumavam mesmo com a música misturada aos “chsssssssss”...!

Para isso o básico era o “toca-discos de agulha” que ainda hoje é manuseado pelos DJ´s. OK, mas voltaram a fabricar e vender os velhos LP´s, e não só para DJ´s, ao público saudosista que não se conforma em deixar de colecionar aquelas obras de arte gráfica, macias, grandes como um quadro e mais elaboradas. Regressão da indústria fonográfica?

Um mimo caro para os antigos aficcionados do gênero? Tá certo, muitos CD´s e até alguns DVD´s musicais só tem mesmo 2 canais (formato PCM). Os CD´s completam em Novembro de 2009 27 anos de existência. Alguns, como o dos Beatles, por exemplo, estão sendo remasterizados para 5.1 digital. Mas os DVD´s mais novos têm 5 canais surround sound apropriados para home-theaters e os Blu-Rays podem ser ouvidos em 10 canais de som.

Porque voltar aos LP´s? Só pela arte das capas? Só para DJ´s? Para colecionadores não, porque os originais podem ser encontrados em sebos reais ou virtuais e o preço não compensa.

Só posso chegar a uma conclusão: a indústria fonográfica, ao invés de investir nos blu-rays para baratear os custos, está regredindo ou está sendo dirigida por alquimistas gagás, que não percebem a evolução das coisas... além de brigarem na justiça contra os downloads de música, daqui a pouco estarão fabricando fitas K-7 e clipes musicais em VHS!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Rio de JaNero - 40 graus

Um parêntese para Josias de Souza: "há poucos dias, os mandarins do Estado - presidente, ministros, governador, prefeito ... - fizeram soar a lira do Rio olímpico. A marginália dos morros informa que, sob os acordes da orquestra de Nero, a cidade continua ardendo. A melodia era bonita. Mas os traficantes, ignorantes musicais, não entenderam os artistas. O único som que Ihes afaga os tímpanos é o barulho do arsenal" . A realidade se impõe. Não há lugar na primeira classe para um país com os nossos índices de violência.

(In: Jornal O Povo, 21/10 - coluna F.Dantas)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Barbeiro mata cantora

Mais uma vítima da doença de Chagas no continente sul americano. Dessa vez uma das cantoras de maior expressão da música latina: Mercedes Sosa. (San Miguel de Tucumán, 9 de julho de 1935Buenos Aires, 4 de outubro de2009) foi uma cantora argentina de grande apelo popular na América Latina. Com raízes na música folclórica argentina, ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido comoNueva canción. Apelidada de La Negra pelos fãs devido à ascendência ameríndia (no exterior acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz".
Mercedes fez parceria com Milton Nascimento gerando pérolas antológicas do nosso cancioneiro, como: "Sueño con serpientes", "Gracias a la vida" e "Volver a los 17", composição de Violeta Parra - que fala do amor temporão, da paixão na terceira idade!
"Volver a los diecisiete después de vivir un siglo

Es como descifrar signos sin ser sabio competente, Volver a ser de repente tan frágil como un segundo Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido Con todo su colorido se ha paseado por mis venas Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente Nos aleja dulcemente de rencores y violencias Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original Hasta el feroz animal susurra su dulce trino Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros, El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto Entró el amor con su manto como una tibia mañana Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín Volando cual serafín al cielo le puso aretes Mis años en diecisiete los convertió el cherubín."

(Pergunta que não cala: porque doenças tropicais endêmicas não interessam à pesquisa dos grandes laboratórios, nem os nacionais?)

Esse link vale a pena:

Luar sobre Fortaleza

Luar sobre Fortaleza
Praia de Iracema

Lady Godiva

Lady Godiva

Info-Arte

Info-Arte
Verso e reverso

Fotopoema

Fotopoema
Nascimento

Fotopoema2

Fotopoema2
Picasso - Guernica

O Sudoku de Ant.Gaudi no portal da Sagrada Família em Barcelona

O Sudoku de Ant.Gaudi no portal da Sagrada Família em Barcelona
Qualquer soma nas colunas, nas linhas ou em X dá 33: a idade de Cristo na cruz!

Pensamento1

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Fanatismo

Dies irae dies ille

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These foolish things

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Tem dias...

Tem dias...
Tem dias!

Wicked game (Kris Izaac)

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Babalu

Babalu
Fotopoema

Festival de Natal - Lago Negro - Gramado-RS

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Nativitaten - um espetáculo que se renova e merece ser visto e revisto!