quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Joaquim Inojosa e a Semana Modernista no Nordeste Brasileiro

Muito já se falou, publicou e se discutiu, principalmente nos meios acadêmicos de literatura sobre a Semana de Arte Moderna Brasileira de 1922, ou simplesmente a “Semana Modernista Brasileira”, quando a arte, incluindo-se aí pintura, escultura, romance, poesia e música, enfim, a produção cultural nacional tomou um novo rumo, libertando-se da influência estrangeira, embora admitindo por um viés dito “antropofágico”, enguli-la, mastigá-la e cuspi-la de um modo diferente, um modo brasileiro.

Foi uma “Semana”  tipicamente sulista, mais especificamente paulista. Muito já se escreveu sobre seus atores/personagens famosos, responsáveis por essa guinada de rumo na cultura nacional: Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Di Cavalcante, Raul Bopp, Sérgio Milliet, Guilherme de Almeida e Heitor Villa-Lobos, Lasar Segall e Manuel Bandeira, entre mais algumas feras pensantes e revolucionárias.


No "manifesto Antropofágico' (1922), Oswald de Andrade delineia o movimento em São Paulo com essa frase que lembra um pouco o compositor Cazuza em "Ideologias"): "Somos concretistas. As ideias tomam contam, reagem, queimam gente em praça pública. Suprimamos as ideias e outras paralisias. Pelos roteiros: acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas!"

Pouco se falou no entanto de Joaquim Inojosa, advogado e jornalista pernambucano, nascido em 1901 era jovem quando participou ativamente do movimento, fazendo-se presente e atuante em vários eventos, trouxe as idéias para o nordeste brasileiro, mais especificamente para a mídia de Recife, Pernambuco.
Em “O Movimento Modernista em Pernambuco”, cuja terceira (e última?) edição foi publicada em 1969, detalha ações, escritos, manifestos e participantes. Lá se encontra essa pérola:
“A ARTE NÃO TEM PASSADO NEM FUTURO, SÓ TEM PRESENTE...” (J.Inojosa)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Anotações sobre uma pequena e antiga viagem de carro pela nordestinidade

Nordeste brasileiro. Pequeno país! Se a Confederação do Equador tivesse sido vitoriosa seria um grande pais. Mesmo assim seus filhos ainda a consideram uma nação. Há algum tempo, fizemos, de carro, um tour pela região, parando em algumas cidades. Foi uma segunda viagem, após uma primeira, mais longa, onde fomos, também pelo litoral, até o Rio. Fiz algumas anotações e guardei-as no caderno das lembranças, na gaveta dos esquecimentos. Hoje, “sem ver nem prá crer”, lembrei-me de resgatá-las.

Recife: seu destino é ser prá lá de Veneza, mistura de Salvador com Fortaleza, com sua vida diurna e pouco noturna, cidade rica de quem muito trabalha e de muitos contrastes, se exibindo na orla, colar de prédios de luxo, e se deixando  mostrar em suas partes baixas nos Afogados. Caminhar em suas ruas e sentir o cheiro de camarão Pitu no ar é uma experiência ímpar, a olhar seu povo, um dos maiores caldeirões genéticos da face da terra, onde se mesclam índios, ameríndios, negros, mamelucos, portugueses e holandeses, com um só sotaque.

Oh linda Olinda: Não adianta o poder público te abandonar, o turista te sujar e Recife poluir teu mar. A cidade Maurícea está lá onde sempre estará, habitando o ideário popular, tendo saudades de Nassau como o povo português ainda sente de D.Sebastião, morto há séculos na batalha de Alquivir. Teu destino te parou no tempo, emparedado no formato de queijo no fortim de S.Francisco, construído em 1620. Teu carnaval é tão tradicional quanto único, como o feijão cozido que se serve com caipirinha.

Caruaru: capital do agreste, raízes de nordestinidade, refúgio de imigrantes italianos trotskistas e anarquistas no bom sentido político, berço de mascates e dos Nunes dos Bezerros, Itu do nordeste, onde tudo se faz maior – a maior feira livre do mundo, o maior São João do mundo, o maior forró do mundo, onde no Alto do Moura se concentra a maior população do mundo de artistas populares figurativos, centro de artes reconhecido pela UNESCO, onde ainda flutuando sobre macambiras, xiquexiques e mandacarus, flutua o espírito do saudoso Mestre Vitalino. 

Natal: nordeste – união, esquina do continente e um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo, onde se respira o ar mais puro e renovável das Américas e onde, no auge da segunda guerra mundial, mocinhas da geração coca-cola perdiam sua virgindade para pracinhas de uma base americana. Onde o passado é conservado no exemplo de um forte símbolo e sinônimo de classe média florescente, inteligente e criativa, limpa e vibrante, conservadora e moderna, cidade pequeno-grande, exemplo para o resto do nordeste, incluindo Fortaleza. Onde tudo é turismo e inventividade. Onde um forte planejado em forma de estrela em 1597 por um padre jesuíta homenageia os Reis Magos. Tudo se transforma em turismo: o maior cajueiro do mundo e inclusive “a menor cachoeira do mundo”, que não passa da nascente sobre algumas pedras, de um pequeno riacho que se espalha e se espelha sobre um bar molhado de mesas e cadeiras e onde se comem camarões fritos apanhados no próprio riacho, acompanhados de caipirinha de caju. Onde andei de camelo como se fora no Egito ou um beduíno no deserto árabe.

Icó: uma Ouro Preto que não deu certo, única cidade do Brasil que, segundo a Wikipedia,   http://pt.wikipedia.org/wiki/Ic%C3%B3,  teve seu planejamento urbano realizado na corte de Lisboa, onde portugueses de Aracati, descendo pelo Jaguaribe e o afluente Rio Salgado, desembarcaram, trocaram bugingangas com os índios Tapuias da tribo dos ikós e, junto com os homens que vieram do baixo  rio São Francisco, plantaram e comerciaram algodão, criaram gado em suas pradarias e bodes nos seus serrotes. Construíram a terceira vila existente no Ceará do século XVII e um dos primeiros teatros do Brasil imperial: o Teatro da Ribeira dos Icós. Traída pela estrada de ferro de Baturité, que passou por sua cidade vizinha, Iguatu, Icó já morreu e não sabe, e nem ao menos sabe explorar seu potencial turístico barroco português. Até Lampião passou por lá de passagem. Dublê de Aracati. Anti-raízes...

Em algum lugar da passagem por essa nordestina estrada, existe à sua beirada, um açude de água potável, límpida e clara, com um bar ribeirinho onde a única decoração é uma imagem do meu padim padre Cícero, abrigado sob o contraste de telhas amarronzadas pelo tempo e o azul profundo do céu nordestino. A luz imensa de um sol amarelão cora tarrafas de pesca estendidas sobre a areia branca do chão. O dono, um homem gordo, corado e feliz, a rir sempre, pesca na hora e frita na cara do freguês, peixes de nomes estranhos, e corpos saborosos de se comer, acompanhados de aguardente de alambique caseiro, feito pelo avô do avô. Onde tudo é barato, até o passeio de canoa pelo açude que se oferece plácido ao banho revigorante.

Em algum lugar à beira do caminho, por toda uma manhã o dia se fez inesquecível! Viu, Neruda? “Confesso que vivi”...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A única bala que contribuiu para a saude da humanidade.

O que há com a mídia atualmente? Está psicologicamente doente? Leia os jornais e bote um avental: eles pingam sangue. Ligue a TV mas antes compre um colete à prova de bala. Compre uma revista e a leia de luvas e próxima à lata de lixo.
Só dá bala, roubo, corrupção e desastres. Não satisfeitos com as desgraças da casa vão buscar onde estiverem ou de onde ouviram falar. “A polícia da Turquia matou dezoito em uma passeata de protesto”... “6000 soldados americanos mortos na guerra de invasão do Iraque”...“Morreram 100 chineses no interior do nordeste da China vítimas de uma enchente”... Shung-Yin foi baleado pela polícia em Cantão quando ameaçava jogar sua mulher de uma janela no 2º andar”... Nem na leitura de “O mandarin” de Eça de Queirós, no século XIX se viu tanto distanciamento de foco!
Dir-se-á então que é justamente isso: como em “O mandarin”, existe um efeito borboleta: para os que sabem perceber a notícia, um farfalhar de asas de uma mariposa  ou a morte de um mandarin na China pode fazê-lo mais rico ou mais pobre, principalmente para a elite econômica que aplica na bolsa.

O que tem esse "doodle" do Google acima com essa estória? Leia até embaixo e se surpreenda.

Ora, como Bilac, direis ouvir estrelas. Ah!, as "estrelas"... que importância que se dá e quantos minutos perdidos para informações sobre aas "estrelas" e astros da mídia, justamente eles que passam no etéreo mais como meteoros do que como sóis!  "A poor player that struts and frets his hour upon the stage and then is heard no more" (Shakeaspeare, em Hamlet: "pobre ator que se pavoneia e embroma sua fala em um palco e depois não se ouve dele nunca mais"...).

Que se organizem as mídias. Que se dê a cada fato seu devido lugar.
Sem se falar que há assuntos que vêm e voltam como modismos: um bombardeio geral e persistente só naquele item, depois, quem sabe daqui a algum tempo. As notícias de saúde, por exemplo, só divulgam o lado mau. Os famigerados (e quase nunca comprovados) “erros médicos” de vez em quando voltam à baila. Se uma auxiliar de laboratório contaminar uma amostra de sangue com um “pum” – erro médico e vai para a mídia se esse for o assunto da moda.

Os sintomas mais patognomônicos da patologia da mídia são as peripatéticas notícias ruins. Raras são as notícias boas! Existe um prazer sádico em divulgá-las amplamente! Onde estão as notícias boas? Porque tenho de saber tudo sobre a vida e as idas e vindas de um bandido e nada sobre alguém que faz a diferença para o planeta, alguém que me acrescenta ou acrescentou algo? Endeusam e imortalizam atletas escolhidos aleatoriamente como “a bola da vez”, exatamente como o faziam os antigos romanos com seus gladiadores. Cite-me o nome de um gladiador que não seja Spartacus, o Pelé da época.

É aqui aonde quero chegar: mostrar que a internet e a informática podem ser um oasis nesse planeta poluído da informação: o simples “doodle” diário do onipresente deus Google pode ser um alívio se você gosta de uma informação sadia e que acrescente algo a sua pessoa. O link do atraente “doodle” do Google lhe leva a fatos interessantes e quiçá valiosos. 

Há tempos, quando era professor universitário e publiquei uma pesquisa para defesa de tese de curso de especialização, agradeci a Bill Gates, por ter disponibilizado, (àquela época), as ferramentas adequadas para a elaboração do trabalho: o Word, facilitando a edição e formatação do texto, o Excel, facilitando a tabulação dos dados, o tratamento estatístico e a construção dos gráficos, e o Power-Point, para a apresentação dos resultados. Hoje, em meio ao bombardeio de informações inúteis, paranóicas  ou de menos importância, em meio ao besteirol rápido e intrincado das redes sociais, agradeço a Larry Page e Sergei Brin pela inventividade e inovação quase constante.
Imperdível foi o “doodle” em comemoração ao aniversário de nascimento de Fred Mercury, o band-leader do Queen, com direito a conhecer dados sobre sua vida e ver e ouvir uma performance do cantor.
Hoje, por exemplo, tem um “doodle” científico: atenção carinhas que malham, atenção biólogos e professores de educação física: vocês já sabem como seus músculos trabalham e que alimentos devem-se ingerir para melhorar a performance física graças aos trabalhos de pesquisa do húngaro Albert Szent-Gyorgyi, o “doodle” de hoje, 16 de Setembro, sobre a fisiologia da contração muscular, as ligações químicas entre as proteínas actina-miosina. E se você toma sua dose de vitamina C efervescente para aumentar sua resistência imunológica, ou toma sempre sucos de acerola ou laranja para se fortalecer, lembre-se de Szent-Gyorgyi, ele foi o pioneiro das pesquisas sobre vitamina C e ganhou até prêmio Nobel (porisso o "doodle" da laranja). Muita gente ainda atribui esses méritos a Linus Pauling, outro cientista que ficou famoso inclusive porque tomava 4 gramas diárias de vitamina C, mas cuja contribuição a essa pesquisa foi de menor monta.

Segundo o site http://www.nobelprize.org, não fosse o poder de uma bala, esses assuntos não teriam vindo à baila (oops!) à época. Explicando melhor: Szent-Gyorgyi, mesmo garoto,  era vidrado em ciências e laboratórios. Quando estorou a primeira guerra mundial foi convocado para servir o exército na frente russa. Teve alguns atos de bravura, foi até condecorado, mas percebeu que estava perdendo tempo – aquilo era uma idiotice total. Tinha de arranjar um jeito de voltar a sua terra natal e continuar seus estudos. Deu-se um estalo, digo melhor, um estouro, uma bala no braço fê-lo voltar de imediato para casa. Dizem as más linguas que foi proposital: ele atirou no próprio braço!  Há controvérsias. Amigos juraram que foi bala perdida...O fato é que esse fato (oops!) nunca foi comprovado e Szent-Gyorgyi voltou ao seu laboratório em 1917, formou-se em Medicina, especializou-se em Eletro-fisiologia na Universidade de Praga e em Química Aplicada na Universidaade de Berlim. Ensinou Farmacologia em Leiden e trabalhou como professor assistente no Instituto de Fisiologia da Holanda. Quando estourou a II Guerra Mundial, como estava na Europa e era declaradamente anti-nazista, foi para a Suécia, onde se naturalizou como cidadão sueco.

Após a guerra, em 1947 deixou a Europa e se instalou nos Estados Unidos onde foi Diretor do Instituto de Pesquisas de Fisiologia Muscular, em Massachusetts, quando, entre outras descobertas sobre a fisiologia da contração e da hipertrofia muscular e da fisiologia do músculo cardíaco, pesquisou o papel de substâncias anti-oxidativas, dentre elas as vitaminas C e P (a Flavanona). Pasmem, criadores de animais de raça e veterinários: esse cara foi o primeiro a conservar esperma de animais em substâncias glicerinadas para reprodução de matrizes!
Não parou aí: descobriu o papel, para o crescimento, dos hormônios do Timo, uma glândula bem desenvolvida nas crianças e que vai atrofiando progressivamente com a idade.

Entre centenas de prêmios e láureas, foi agraciado com o prêmio Nobel de Medicina em 1937.
De suas publicações importantes destacam-se: “Vitaminas, Saude e Doenças”, “Muscular Contraction”,”The nature of life”, “Bioenergética” e “Contraction in body and heart muscle”.
Albert Szent-Gyorgyi era fã de esportes, sobretudo vela e alpinismo, e morreu em Outubro de 1986 aos 93 bem vividos e produtivos anos.

sábado, 10 de setembro de 2011

O Planeta dos Macacos: a origem

Assisti  “O Planeta dos macacos: a origem” e após sentar a poeira luminosa da tela na mente, a dita cuja me alertou que o filme é baseado nas teorias do cientista holandês Adriaan Kortlandt, muito em voga na década de 70, embora o diretor Rupert Wyatt não lhe tenha dedicado uma só referência naquelas intermináveis linhas de fim de filme.

Para começar, um engano: nos filmes anteriores os macacos se encontram em outro planeta. No primeiro da série o astronauta (Charlston Heston), no futuro longínquo, tem problemas com  sua nave que se espatifa justamente em um planeta só de macacos humanizados. Como essa película atual poderia ser “a origem” se os macacos personagens do filme encerram o 
episódio ainda em uma cidade, aparentemente São Francisco?

O filme é bem diferente dos primeiros “Planeta dos Macacos” e dos subseqüentes seriados de TV pois tem muita ação e emoções inéditas. Seguramente pode vir a ser um “Cult”.

Onde entra Kortlandt e sua teoria científica?
Seus trabalhos começaram ainda na década de 30 e se estenderam por décadas, com pesquisas e publicações sobre a “hierarquia dos instintos”, quando se deu conta de características comuns entre os instintos humanos e os instintos de alguns animais, sobretudo grandes macacos.

Acesse o link para essa referência em:

Numa dessas pesquisas na África ele colocou um boneco que imitava uma pantera, com uma cabeça que se movia de um lado a outro por uma engrenagem como um motor de limpador de pára-brisas, diante de um bando de chimpanzés e estes a atacaram com bastões de madeira de árvores! “Foi um inferno!”, relatou um membro da expedição em publicações da época. “Os macacos, gritando e pulando - (exato como no filme) – armaram-se de cacêtes, avançaram para o pseudo-leopardo . Uns arrancavam galhos de árvores, desfolhavam-nas e erguiam-nas ameaçadoramente sobre a cabeça do animal; outros apanhavam pedras e lançavam sobre a fera”.

Tudo foi devidamente filmado e Adriaan considerou esse documento visual importante em seus trabalhos de pesquisa antropológica sobre a genealogia de homens e macacos. (Em 1972, (segundo a Wikipedia), o Prof. Kortlandt publicou em Amsterdam um livro sobre paleo-antropologia chamado “New perspectives on ape and human evolution” tendo continuado suas pesquisas sobre o assunto durante algumas décadas, tendo faleceu em 2009 aos 91 anos.

Outra tese de Kortlandt que o filme explora é que nos zoológicos os macacos demonstram possuir habilidades de que não se utilizam quando estão em liberdade, o que, na opinião dos cientistas, parece indicar que no ambiente natural, protegido pelas florestas, eles vivem muito abaixo do seu nível intelectual. Segundo Kortlandt, a inteligência e habilidade dos símios foi desenvolvida há uns 2 milhões de anos, quando habitavam as savanas e estepes, onde, como bípedes poderiam usar as mãos para defesa, caça e coleta. Disputando esse habitat com os humanos, foram por sua vez caçados, predados e perseguidos como “ladrões de bairro”. 

Quando os grandes símios, (sobretudo os chimpanzés que têm uma carga genética quase idêntica à nossa), voltaram à floresta após milhares de anos de lutas, as habilidades que teriam desenvolvido nas estepes degeneraram, voltaram a ser vegetarianos, abandonaram em parte a caça e se adaptaram  por questão de sobrevivência ao novo ambiente.(Darwin explica).
Apesar disso a Dra. Jane Goodall,(foto) primatóloga, etóloga e antropóloga britânica, que viveu durante 40 anos em meio a gorilas na Tanzânia observou macacos caçando antílopes nas pradarias circunvizinhas à floresta. Dian Fossey foi outra  antropóloga que se dedicou à etologia dos gorilas e observou comportamentos semelhantes -  veja o filme (imperdível): “Gorillas in the misty” (“Na montanha dos gorilas”).

“O Planeta dos macacos – a origem” mostra , em um ambiente hightech, o que parece ter sido uma realidade há alguns milhares de anos em habitats primitivos: as primeiras guerras da humanidade foram travadas entre homens e macacos. Os humanos armados de paus e pedras lascadas, os macacos, do que dispunham no ambiente, como mostrou Kortlandt. Claro que os símios sempre perdiam,e, depois das batalhas, banidos do lugar, e com a inteligência inferior a seus maiores inimigos, tiveram de deixar savanas e estepes e voltar às florestas onde sem dúvida poderiam estar mais protegidos dos confrontos.

Esse filme portanto não é totalmente sci-fi... tem um grande fundo de probabilidades reais...e para quem curte psicobiologia, neurociência e comportamento animal, um prato cheio!
Detalhe: Andy Sarkis, avatarizado na pele de Caesar, o chimpanzé, dá um show, melhor que o mocinho James Franco.
Quer uma amostra grátis? (se sua conexão agüentar) – clique:

Referências:
.  Kortlandt, A. (1972) - New perspectives on ape and human evolution, Amsterdam, Stichting voor Psychobiologie.
 . Kleindienst, M. R., Burton, F. D., & Kortlandt, A. (1975). On new perspectives on ape and human evolution. Current Anthropology, 16(4), 644-651. Link to article

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Teu filho

Revendo alfarrábios e recortes da década de 80 deparei-me com um artigo de antiga e extinta publicação de uma empresa de ferragens em Fortaleza (também antiga e talvez  extinta) chamada de "A Ferragista".


Transcrevo abaixo o recorte de autor apócrifo (se alguém souber o nome me avise). 
O texto que me tocou há trinta anos, tocou-me  novamente em sua releitura. Ei-lo:

"Teu filho não é o intruso que adentra o lar, mas o convidado que trouxeste à experiência da vida.
Não é o estranho que traz incômodos...
Não é o ser equivocado a cruzar-te acidentalmente o caminho mas a providencial presença que desde cedo esperavas e pediste para compor teu grupo familiar.
Não será o algoz de teus dias mas por certo expressará os impulsos divinos manifestos na interdependência das vidas.
Não servirá a ti por simples fatalismo ou obrigação social mas traduzirá o bem que te deve na relembrança atávica de vidas solidárias.

Ao reconhecer a teu lado a figura frágil e dependente de teu filho, lembra-te: ele é teu conviva, não o decepciones, seja qual for tua vida.

E se observares a teu lado um filho agressivo, intolerante ou ingrato, não recuses a ele o amor, o apoio e a tolerância, qualquer que seja teu sentimento vivencial.

Lembra-te: teu filho é o convidado para a belíssima festa  da vida.
Dê-lhe a prova de que, ao trazê-lo para a existência terrena, não o decepcionas.
Estimule nele a alegria de viver e para que cumpras tua missão de (em parte) responsável pelo destino de teu filho: convive com teu filho.

("psicografado" de  "A Ferragista" - Fevereiro de 81)


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Seria Cristo um Essênio?

Segundo um livro escrito por um tal Marcel Humet, publicado há algumas décadas, “Na trilha dos deuses solares”, e alguns manuscritos antigos, do Vaticano, tudo indica que Cristo era da seita dos Essênios.
Àquela época apenas três seitas religiosas eram seguidas nas terras da Palestina: os Fariseus, com seus templos suntuosos, os Seduceus, seita mais popular, e os Essênios, uma espécie de seita de escol, mais reservada e mais filosófica, embora tivessem um lado prático pois o nome Essênio deriva-se do sírio “assaian” que significa “médico”. 

Eles eram conhecidos por seus profundos conhecimentos e poderes terapêuticos.
Os essênios tinham duas escolas: uma no Egito e outra formada por um grupo de judeus em um acampamento nas montanhas desérticas próximas ao Mar Morto.
Conheciam profundamente as filosofias e teosofias vigentes à época: a doutrina de Khrisna, a teogonia dos deuses egípcios, sobretudo a de Osiris, e, segundo manuscritos, até a filosofia grega de Pitágoras.

Incorporaram também a seu pensamento teosófico alguns cultos egípcios, dentre os quais um certo culto solar, derivado da adoração do principal deus egípcio: Ra, onde havia o mistério de um Verbo divino que se fez homem! Como um grupo judeu no entanto, os Essênios professavam a crença no Deus de Israel, seu único deus.
Na década de 20 um pesquisador húngaro encontrou na imensa biblioteca do Vaticano um manuscrito  escrito provavelmente pelo apóstolo João sob o título: “O evangelho Essênio da paz”. Traduziu e publicou o manuscrito mas logo a Igreja Romana o incluiu entre os evangelhos apócrifos, excomungou o húngaro e colocou o livro no códice negro.

Muitos fatos sobre a vida de Cristo ainda estão a ser descobertos, sobretudo o hiato cronológico e histórico que existe no Novo Testamento: os anos vividos por Cristo desde sua passagem quando criança no templo de Jerusalém até quando, já adulto, em suas peregrinações e pregações pelas aldeias da Palestina. Teria, ainda adolescente, saído de casa e  aderido à seita dos essênios do Mar Morto?

E pasmem sobre essa data: Jesus pode não ter nascido em 25 de Dezembro – essa era a data em que a seita comemorava a festa secular  do “Sol invencível” !

Veja mais detalhes sobre os Essênios em:

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O urso e a cobra - fábula à moda da casa.

Um urso cinzento, (Ursus arctos horribilis), passeava a passos largos por uma pequena floresta canadense próxima a um descampado, julgando-se o dono daquele habitat, tal qual um novo rico, contando mentalmente as vantagens de ser urso, alto, grande, poderoso. 
Elucubrava com seus botões, digo com seu umbigo, que em outra encarnação deveria ter sido um estrelado general.

Quem sabe Patton, Montgmery ou o grande general patrício Charles Foulkes?
   
Vaidoso, cabeça erguida, era um dos raros bípedes daquela floresta que tinha a cabeça nas nuvens e os pés firmes no chão. Achava que sua cabeça alcançava o céu, os picos das copas das árvores. Tinha a cabeça nas nuvens acima de todos os animais, até do rei. Julgava-se mais real do que o rei e ninguém, a não ser alguns humanos a quem aterrorizava e desprezava, podia ter um cérebro tão elevado fisicamente!

Logo, ao alcance de seu olhar estereoscópico, avista uma cobra, colorida, grande e matreira, arrastando-se sinuosamente por entre as folhas, no congestionado trânsito artrópode da pequena floresta. E prossegue impávido (não que nem Muhamed Ali pois dizem que este tinha medo de cobra!)


Altiva e imediatista, materialista desde o dia em que abominou a religião por lhe imputaram ser o pivô bíblico de um crime em que toda a humanidade foi envolvida e comprometida, a cobra achava que tinha os pés, (oops), digo, a cabeça, sempre no chão. Apesar de saber do seu poder mortífero andava depressiva julgando que seu triangular cérebro pertencia  ao solo poluído da floresta e invejava o grande urso marrom. Ninguém, mas ninguém mesmo, poderia ter a massa cefálica se arrastando tão baixo!

Ao ver de longe a sombra cinza, subiu rapidamente (o tanto que um rapidamente pode significar para um serpenteador) em uma árvore, quem sabe para preparar uma surpresa, quem sabe um susto (ou um abraço apertado) ao grande e pedante urso ou simplesmente se esconder e admirar do alto o porte altivo do arctídeo .

Eis que, de repente ambos se encontram frente a frente e com as cabeças na mesma altura, olho no olho, nem tanto no céu nem tanto na terra!

Moral da estória: a que se conseguir extrair dessa fábula nada esopeana, (deve ter alguma, as fábulas sempre têm).
Pequena dica: os romanos sempre afirmavam que “in médio virtus” – a virtude está no meio termo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pensamento de Newton sobre a incompetência que reina atualmente

Em 1669 o cientista Isaac Newton divulgou um novo invento: o telescópio refletor que, ao invés de lentes até então usadas, funcionava com espelhos côncavos os quais além de não distorcer as cores permitiam a construção de telescópios menores.

O telescópio de Newton, ao contrário dos convencionais com tamanho médio de 1,80 metros,  media apenas 15 centímetros porque a luz era refletida (ao contrário da luz refratada dos grandões) e percorria um caminho menor com ótima qualidade!

Quando comunicou  seu invento à Royal Society (o Imetro da época) relatou que construiu tudo sosinho: ferramentas, espelhos e revestimentos.
Perguntaram-lhe o porque de tanto empenho e ele respondeu com uma frase super atual, principalmente para o Brasil de hoje:
- "Se eu tivesse esperado que os outros fizessem minhas coisas não teria feito nada do que fiz...!"

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Espectros

















Eu tive medo daquela cidade
Que era só minha.
De minha tarde
onde o rio era o caminho,
a pedra: a ilha
e eu, seu rei.

Medo de passar pelo prado
E ver no céu, a dançar,
O espectro das pipas.

Medo do rastro fundo da bicicleta
A pisar nas flores dos anos,
De abrir o portão e ouvir o grito
Mamãe, cheguei.

Subir a escada
E topar com a irmã pequena
entretida com bonecas.

De entrar no quarto
E ver no guarda roupa
a roupa de pirata
Dançar a espada sobre minha cabeça.

Medo da estante
Cheia de mistérios.
Medo do porão
cheio de ancestrais.
Medo da cozinha
E seu fogão a lenha.

Atravessar o quintal
E destruir o equilíbrio mágico
Das fantasias no varal.

Subir ao disco da caixa dágua
E não ser reconhecido
Pelo marciano amigo.

Medo de romper os tímpanos
Com sons mortos há séculos:
Coma, menino
Meus parabéns,
Prá dentro, agora,
Vem tomar banho,
Hora da escola,
Olha a merenda,
Hora do almoço,
Teu pai já vem...

________________
(winston – Julho de 1980)

sábado, 25 de junho de 2011

Meia noite em Paris

Mais um filme "cabeça" escrito e dirigido por Woody Allen. Mesmo em seus filmes europeus: "Matchpoint", "Vicky, Christine, Barcelona" e agora com "Midnight in Paris", Allen não abandona sua exploração psicológica de caracteres e seus focos individuais em personagens. Rodando filmes em cidades ícones - Londres, Barcelona e Paris - ele não os transforma em peças turísticas para a telona. Apenas dá rápidos cliques cênicos para o espectador se localizar.

Em "Vicky, Christina..." você quase não vê ou revê a cidade. Você sente através dos personagens a apaixonada e arrebatadora cultura catalã. "Matchpoint" é um retrato da fleuma e da hipocrisia britânica. 

E agora com "Meia noite em Paris" não espere conhecer ou reconhecer a cidade-luz. Se vai com essa intenção, desista, esperançado turista, você vai querer seu dinheiro de volta.
"Meia noite..." é o filme mais cabeça de Woody Allen e a cidade com seus pontos turísticos quase não aparece a não ser em clipes nos primeiros minutos iniciais ou em locações que são indicativos importantes para os personagens. Esse é um filme sobre a cultura de Paris e não sobre Paris; sua herança cultural, o que ela representa para a humanidade e o que ela pode fazer para mudar a visão das pessoas. É um mergulho intelectual no passado secular da milenar Lutécia Parisiorum, velha cidade-luz. 
Um passeio onde se misturam ao mesmo tempo, presente, passado e futuro em uma viagem surrealista!
Justamente isso que é o filme: um passeio surrealista-cultural em Paris, em cenários sombrios, ocres e chuvosos, como a pintura francesa renascentista, com direito a escárnio sobre turistas endinheirados e pedantes que supostamente aprenderam sobre Paris em livros ou guias turísticos mas não a vivem nem viveram, que aproveitam o dia em piscinas de hotel ou visitas ao Monte San Michel.

Não assista ao filme se você não sabe quem foram ou não conhece a obra de: Hemingway, Gertrud Stein, Luis Buñuel, Scott Fitzgerald, e T.S. Elliot, entre outros. Não gosta de Cole Porter ou não aprecia a pintura  de Degas, Matisse, Picasso, Dali e muitos outros. Eles estão lá e são personagens do filme.

Dá para perceber  no rosto, ao acender das luzes finais, a desilusão de alguns que foram para "rever Paris" ou "ver a Carla Bruni", a ex-modelo mulher de Sarcozy, presidente da França - ela reprenta (e mal) o papel de uma guia turística de museu, em duas rápidas aparições. (Jogada de marketing?).

Agora entendo porque Woody Allen se afastou dos Estados Unidos para escrever e rodar filmes na Europa: Hollywood hoje só produz "scripts" medíocres. Filmes de ação onde impera a abundância de tiros e explosões, comédias escrachadas sem o menor pudor, com direito a toneladas de palavras de baixo calão, comédias românticas melosas para moiçolas sensíveis, filmes de terror chapado, repeteco de filmes B antigos, filmes catástrofes onde só um casal de americanos escapa ao fim do mundo , remakes de suspenses de sucesso ou uma safra comercial de desenhos que exploram comercialmente a nova onda 3-D.

Allen está acima disso tudo. É um Cineasta com C maiúsculo. Sua identificação com o personagem principal do "Midnight..."  é clara - Owen Wilson - o mesmo de "Marley e eu" - (agora mostrando a que veio e o que faz um bom diretor com um ator medíocre). 
Pode-se dizer, sem medo de errar, que o personagem de Owen representa parte da história pessoal de Woody Allen: um escritor que foge de seu ambiente insípido e pouco inspirador  para auferir lições dos grandes mestres in loco.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

1984 – um casamento perfeito entre livro e música

Quem leu o livro de George Orwell, ou assistiu ao filme de mesmo nome baseado no livro, e ao mesmo tempo teve a ,oportunidade de comprar o CD/DVD de Rick Wakeman, “1984”, (não sei se continua esgotado no mercado!), se surpreenderá com a intensidade, emotividade e fidelidade com que Wakeman interpretou, através de sua música, teclado e orquestração, os personagens e caracteres do filme homônimo.

E se perguntará porque cargas dágua ele não foi convidado para fazer a trilha sonora original, que, por sinal, não tem nada a ver com o clima ditatorial de 1984 e do Grande Irmão, o Big Brother, o ditador que tudo vê.
As composições de Wakeman para o Big Brother, sim, tudo a ver: se você a escuta, revive o clima e sente os personagens de “1984”.

Antes de tudo uma coincidência: o livro de Orwell, publicado no final da 2ª. Guerra mundial, segundo alguns críticos literários, foi baseado na ditadura russa de Stalin, acreditando que em 1984, com o avanço da tecnologia, o Big Brother teria totais poderes em 1984. No Brasil, em 1984, ainda vivíamos o suspiro final da grande ditadura de 1964! Segundo outros, foi baseado em “The Iron Heel”, de Jack London (onde um movimento político chega ao poder em 1984) ou a “O Napoleão de Notting Hill”, de Chesterton, que se passa em 1984, ou ao poema "End of the Century 1984" ("Fim do Século, 1984") de sua primeira esposa, Eileen O'Shaughnessy. Anthony Burgess afirma, em seu romance “1985”, que Orwell, estando decepcionado com o começo da Guerra Fria, tinha a intenção de nomear o livro “1948”.

O  autor,  Eric Arthur Blair, que ficou mais conhecido por seu pseudônimo:  George Orwell, retrata o cotidiano de um regime político  repressivo. No livro, ele mostra como uma sociedade  coletivista é capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ela. A história narrada é a de Winston Smith, representado no filme pelo ator inglês John Hurt, tendo como parceiro nada menos que Sir Richard Burton no papel de O´Brien. Winston é um homem com uma vida aparentemente insignificante, que recebe a tarefa de perpetuar o regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais desiludido com sua existência miserável e assim começa uma rebelião contra o sistema. Sua principal forma de rebeldia é um amor proibido com a “companheira” Júlia.
O romance se tornou famoso por seu retrato da difusa fiscalização e controle de um determinado governo na vida dos cidadãos, além da crescente invasão sobre os direitos do indivíduo. Desde sua publicação, muitos de seus termos e conceitos, como "Big Brother", "duplipensar" e "Novilíngua" entraram no vernáculo popular. A impressão que se tem é que o autor genialmente se referia a uma nova linguagem do futuro: a linguagem da internet e das redes sociais!
O termo "Orwelliano" surgiu para se referir a qualquer reminiscência do regime ficcional do livro. O romance é geralmente considerado como a obra magna de Blair e, desde sua publicação, é um dos mais lidos e imitados no planeta.


A leitura de "1984" inspirou dois holandeses,John de Mol e Joop van den Ende a fundar em 1994, uma empresa chamada "Endemol" derivando o nome da empresa dos sobrenomes dos fundadores, que vende projetos de programas para emissoras de TV, sendo um de seus maiores êxitos justamente o reality show "Big Brother", que ganhou diversas versões pelo mundo depois da original holandesa.


Segundo a enciclopédia virtual Wikipedia, no próprio ano de 1984 o livro de Orwell já havia sido traduzido para mais de 65 idiomas, mais do que qualquer outro romance de um único autor. O título, os termos, o idioma (Novilíngua) presentes no romance, assim como o sobrenome do autor viraram sinônimo para a perda de privacidade pessoal para a política de segurança nacional de um determinado Estado. 
O adjetivo "Orwelliano" tem muitas conotações. Pode se referir à ação totalitária, assim como às tentativas de um governo em controlar ou manipular a informação com o propósito de controlar, apaziguar ou até subjugar a população. "Orwelliano" também pode se referir à fala retorcida que diz o oposto do que realmente significa ou, mais especificamente, à propaganda governamental que dá nomes errados às coisas; no romance, o "Ministério da Paz" lida com a guerra e o "Ministério do Amor" tortura as pessoas. Desde a publicação do romance, o termo "orwelliano" tem, de fato, tornado-se uma espécie de bordão para qualquer tipo de excesso ou desonestidade governamental e, portanto, tem múltiplos significados e aplicações. A frase Big Brother is Watching You ("O Grande Irmão está te observando") denota especificamente uma vigilância invasiva frequente.

Ainda segundo a Wikipedia: “Apesar de ter sido banido e questionado em alguns países, o romance é, ao lado de “Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e Nós de Yevgeny Zamyatin, uma das mais famosas representações literárias de uma sociedade distópica. Em 2005, a revista Time listou o romance como uma das cem melhores obras de língua inglesa publicadas desde a década de 20.

Mas aonde quero chegar é ao seguinte: se você leu o livro ou  viu o filme, veja se consegue o CD ou DVD “1984” de Rick Wakeman. É imperdível como peça musical. A faixa “Overture” é perfeita, coisa de virtuose! “Julia´s song” nos remete a lirismo, cenas de amor puro e ao mesmo tempo tórrido. Mais bonita e emocionante na voz “rocinolesca” de Chaka Khan. Em “The room” tem-se a sensação de estar lá, sob as vistas do Big Brother, com a repressão batendo à sua porta. Quem viveu um amor proibido ou então sob o período negro de qualquer ditadura vai seguramente se emocionar. A composição “War games” é um libelo, em letra e música, contra a guerra.
Algumas curiosidades sobre o filme:
  • 1984 começou a ser filmado exatamente no dia que começava o diário do personagem "Winston" no livro de Orwell, dia 4 de abril de 1984.
  • A canção-tema do filme se chama “Sexcrime” e é interpretada pela dupla Eurythmics.
  • Foi o último filme de Richard Burton que faleceu logo ao término das filmagens e o filme lhe foi dedicado.
Enfim, eis um casamento perfeito: o livro/filme “1984” de Orwell e as músicas de  “1984” que Rick Wakeman, ex-tecladista do “Yes”,  compôs em 1981 em homenagem a Orwell. Pena que o diretor Michael Radford não o aproveitou como trilha!
Alguns links para clips do filme “1984” no YouTube:

Alguns links para clips do album “1984” de Wakeman:


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Darwin e a diferença de número entre os sexos

Porque há sempre mais mulheres que homens no planeta, apesar da taxa de nascimento favorecer o sexo masculino? 


Para cada 100 bebês do sexo feminino nascem 105 meninos!


Porque as mulheres vivem mais do que os homens?
A teoria evolutiva pode explicar a abundância desse sexo dito frágil...


Segundo Richard Dawkins em “O gen egoista”, os gens são “egoístas” porque a finalidade genética principal da vida é metafísica, isto é, reproduzir os próprios gens e gerar sua sobrevivência por todos os meios; essa mensagem está embutida no DNA de todos os seres, até dos vírus (que quando “percebem” que o hospedeiro não sobreviverá com sua carga, sofrem uma mutação mais branda!


Explico melhor: a mulher, como sabemos, é uma matriz de apenas 40 a 50 óvulos por vida e apenas 1 por mês; o homem por outro lado, com uma só ejaculação (e alguns com várias por dia...) , pode gerar entre 200 a 300 milhões de gametas a cada vez!


Por que a genética precisaria de tantos machos?
A natureza faz seu trabalho: elimina os excessos de disponibilidade masculina não só após o nascimento: meninos têm 50% de probabilidade a mais de morrer por problemas respiratórios enquanto são recém-nascidos, sendo a média mundial de mortalidade infantil como um todo, 22% maior nos meninos do que nas crianças do sexo feminino. Na adolescência e juventude, através de guerras, conflitos inter-pessoais, conflitos de gangues, agressividade natural, brigas, drogas, etc, a mortalidade é várias vezes maior para o sexo masculino nessa faixa etária.  


Para isso a natureza dotou os machos de um hormônio que gera agressividade, impulsividade, disputa e combate: a testosterona, que além de tudo ainda afeta o sistema imunitário deixando os machos mais vulneráveis a doenças. Ainda por cima esse hormônio se encarrega de livrar a natureza de espermatozóides velhos provocando enfartes fulminantes em homens da meia idade à velhice.


O cientista Schwartzman tem razão: biologicamente  falando elas é que são fortes... e uma constatação é fácil de comprovar - existem mais de 10 mulheres centenárias para cada Oscar Niemeyer...

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