segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Hedy Lamarr

Hoje o doodle do Google comemora os 101 anos de nascimento de uma estrela de Hollywood: Hedy Lamarr. Até aí nada demais. Seria trivial e boçalidade se não se tratasse de uma mulher que foi considerada a mais bela mulher européia de sua época, mas não só isso, uma mulher extremamente forte e corajosa. Exemplo: em 1937, atriz de filmes alemães, casou-se com um milionário alemão amigo de Hitler que a mantinha praticamente presa em sua mansão pois ela tinha ascendência judia. Umbelo dia, Hedy (Hedwig Kiesler) pediu "autorização para ir com o marido a uma festa dos nazis usando suas mais valiosas jóias. Não foi: ao invés disso deu um boa noite cinderela no marido e fugiu com todas as suas jóias.para Paris (e depois para os Estados Unidos, quando foi contratada por um dos donos da Metro, Louis Mayer). Walt Disney inspirou-se em sua beleza para desenhar a Branca de Neve, que é sua caricatura até hoje. Só isso?Não: O sistema de comunicações que Lamarr criou para as Forças Armadas dos Estados Unidos atualmente acelera as comunicações de satélite ao redor do mundo e foi usado para criar a telefonia celular. Beleza e inteligência juntas em uma personalidade feminina muito forte e determinada. Seu último filme foi em 1958:"A mulher animal". Morreu em 2000 aos 86 anos.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Poema

No Jardim de Luxemburgo

(Winston, Paris, Out/2014)
















(Paris, Out/2015)

No jardim de Luxemburgo
experimentei a sensatez
das palavras do poeta frances
com a sensação  recorrente
de que ao ter andando correndo
sempre em frente
em direção ao lago
a juventude não passou
nem para mim turista ao leu
nem para a estátua nua
que tem como chapéu
uma cascata de pombos.

Árvores centenárias
assobiam os estribilhos
da velha Marselhesa
em frente ao palácio do Senado
que Maria de Médici
viúva da nobreza
mandou construir
na pós  renascença
com saudades de sua Florença.

Miro-me no lago
Narciso ao contrário
e percebo aziago
que  Gérard de Nerval
tinha razão:
ela  a juventude,
La jeune fille,
passou rápida
como a imagem da criança
correndo com seu balão.

Olho em direção ao banco
onde está sentado
um cidadão de cabelo branco
quase entregue a Morfeu
com um livro caído ao colo,
serei eu?

Aproximo-me e leio
na contracapa
as últimas palavras
do poeta demiurgo
escritas há mais de cem anos
nesse mesmo jardim:
Parfum, jeune fille, harmonie,
Perfume, mulheres e harmonias
passam fugidias
como os pombos de Luxemburgo.


terça-feira, 24 de março de 2015

domingo, 8 de março de 2015

Poema















Mar vivo

Sob duras penas
arrancarei meu norte
de bússolas quebradas
Barco frágil
e sem mecenas
todas as ondas
estarão contra mim.
Só uma vaga me voga
e me envolve por fim
e sobre ela, absorto,
me jogarei contra o porto
sem sul, sem leste ou oeste
alea jacta est.

(Ilustração: quadro de W.Turner - "O naufrágio do Minotauro")
















Alma latina
Minh'alma latina canta
e canta fox inutilmente
não canta em tom maior
minh'alma latina só canta
tons tristes de lá menor
e dança rock desengonçado
por isso me desespero
minh'alma latina
só sonha em bolero.

Minh'alma latina chora
e chora blues inutilmente
não adianta ela engasga
mistura Billie e fandango
mistura King com tango
antropofagicamente
faz o que pode
tenta até dançar pagode
com letra antiga de fado.

Minh'alma latina toca
e toca sax inutilmente
não adianta o pistão
ele tem trava psíquica
minh'alma latina insiste
em misturar a cuíca
com acordes de violão
em batida lenta e triste

como compete a um chorão.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Piazzolla

Ouvi novamente uma música antológica que deveria ser considerada Patrimonio Cultural da humanidade:  "Adios Nonino" em uma gravação em CD com o bandoneon de Astor Piazzolla. Só não fui às lágrimas (novamente) porque de tanto ouvi-la, lágrimas correlatas já não há, além do mais, Piazzolla a compôs em homenagem a seu pai, doente e prostrado em seu leito. Deixo as lágrimas, se as houver, a quem quiser por acaso me prantear no futuro, que espero ainda longínquo, colocando em um portátil qualquer um MP3 de  Adios Nonino.

Se vivo estivesse, Piazzolla estaria completando 94 anos em 2015. Talvez não tivesse a destreza e a força necessária para extrair do seu bandoneon essas melodias e acordes inigualáveis, inimitáveis e indescritíveis, de melodias que vão fundo na alma, daquela mistura inesperada e inusitada de tango com puro jazz!

Ou talvez, uma vez que era um homem forte, bem talhado até nos seus últimos dias, fosse ainda melhor no sanfonar de seu bandoneon, igual a um senhor, já bem idoso, que ouvi tocando com imensa maestria em Buenos Aires,  em um show de uma casa noturna chamada "Señor Tango". Quando foi anunciado que o dito cujo era um dos últimos participantes do grupo de Piazzolla, quase não acreditei até ao minuto em que o velhinho puxou os primeiros acordes piazzollianos do bandoneon. Aí valeu a noite, valeu o ingresso e meu ouvido me guardou uma memória imorredoura! Escusado dizer que ele tocou justamente o "Adiós Nonino", um avô prestando uma homenagem a seu pai, o Nono.


De onde Piazzolla tirou a ideia de misturar tango com jazz e apostar que daria certo? Sabemos que essas misturas de ritmos nunca emplacam, a não ser como passageira novidade. Por essas bandas já tentaram misturar samba com be-bop, sertanejo com rock, old american standards com bossa nova mas não emplacou nem emplaca. Piazzolla fez a mágica da mistura funcionar e ser aceita para sempre! Como começou? Quando na década de 20, ainda criança, foi com sua família argentina morar em Nova York. Lá, interessando-se por música, ganhou de seu pai um presente: seu primeiro bandoneon. 

O pai, percebendo suas habilidades musicais, contratou nada mais nada menos que Bela Wide, um professor que foi aluno de Rachmaninov, compositor clássico russo. Com o DNA do tango nas veias e o gosto pelo jazz que por essa época nascia com músicos famosos nos Estados Unidos, eis o resultado: uma música única, pungente como o tango mas ao mesmo tempo alegre e diversificada como o jazz. Canções com marca registrada, com a grife piazzollana.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Aforisma de um antigo sábio chinês:

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Guerreiro medieval

Ainda bem que nasci no mundo atual! Tivesse nascido no mundo medieval não dava prá carregar nem o estandarte real, quanto mais vestir esse troço pra lutar! Naqueles tempos, (os historiadores nunca explicaram isso), deveria haver academias de malhação próprias para vestir essas armaduras e conseguir lutar.

O programa da academia deveria ser o seguinte:
Primeiro ano - aprender a vestir a armadura, peça por peça, a começar pela malha interna - com a observação de trazer de casa a roupa de baixo. Segundo ano - aprender a se movimentar usando a armadura, começando pelos gestos mais simples, como por exemplo, levantar o braço até à boca para beber água. Terceiro ano - aprender a andar com esse ferro todo e exercitar a visão lateral usando os buracos da viseira. Quarto ano - treinamentos de corrida com a armadura. Quinto ano - Aprender a usar lanças, espadas, bestas, porretes e arco e flecha vestido com a armadura. Finalmente, último ano - treinamento real de guerra com a devida supervisão e aprovação do Duque, no interior do castelo ducal, além de autorização do Papa para integrar uma Cruzada para eliminar os Mouros in loco. 

Advertências:
1.os feridos nesse treinamento serão tratados pelo médico pessoal do Duque com direito a três dias de sangrias com sanguessugas importados diretamente dos pântanos de Florença.
2. armaduras estragadas poderão ser consertadas pelo armador ducal e pagas pela família em galinhas, perus e porcos depositados diretamente na cozinha do castelo.
3. os cadáveres dos mortos em treinamento final ou dele decorrente  serão jogados no fosso do castelo ducal com direito a breve benção do prior local.

Observações:
1. os reprovados em corrida e manuseio das armas terão de reiniciar todo o curso a partir do zero.
2. de acordo com edital recente do Duque de Campelo, um cristão aliado ao Papa e especializado em lutas marciais com equinos, todos os cavalos terão prioridade na alimentação e deverão ser exercitados com sacos de areia e pedras nos lombos para aguentar essa tranqueira toda.

Notas: admitem-se adolescentes a partir dos 12 anos que já estejam frequentando nossas aulas de malhação. Filhos de nobres terão prioridades e serão submetidos também a aulas de equitação, esgrima, cuspe-à-distância-na-mundiça, noções de história e geografia regional para saber quem é a nação inimiga atual e métodos de como chibatear a contento seu fiel escudeiro.
Os nobres que se inscreverem em Cruzadas terão direito a uma indulgência com direito a entrada livre no céu, comprada diretamente do Vaticano com a chancela papal.

Eu, da minha parte, em não tendo nascido nobre, talvez fosse um daqueles caras que tocavam tambor na frente da batalha e levavam as primeiras flechadas...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Picles mitológico

Diz o ditado que tantas são as pessoas, tantos são os dramas e as histórias. 
Certo. Mas se as pessoas pudessem ser vistas sob a ótica da mitologia grega, então...
Fui assistir com meu neto ao filme "Hercules", 3D, personagens bombados sempre lutando contra alguém, batalhas mais sangrentas que desenhos do South Park, enfim, um filme meia-boca, apesar de meu neto ter gostado, uma vez que fã de mitologia greco-romana. 
Mesmo assim, ao terminar o filme, saí pensando, poderia dizer filosofando, sobre coisas da vida e das pessoas, relacionadas com o herói. Tipo:

Para uns, a vida se resume nos doze trabalhos de Hércules e sempre há mais um a cumprir.
Têm de matar o leão de Neméia e a Hydra de Lerna, capturar javalis, cavalos e corças, o touro de Creta e o cão Cérbero, limpar as estrebarias de Augias, expulsar as aves de um lago, pegar os bois de Gerião e buscar as maçãs de ouro das Hespérides...Ufa!

Outras pessoas são verdadeiros Hércules sem nenhum trabalho.
Alguns nem Hércules poderiam ser...se escusam de qualquer trabalho ou simplesmente não o encontram.

Uns se contentam com um só trabalho, desses difíceis e comparado a algum dos hercúleos e passam toda a vida a executá-lo.

Mas a maioria se constitui  nos próprios trabalhos de Hércules. Nascem para dar trabalho aos Hércules da vida.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Considerações etomológicas/fonográficas

Papiro de Elbers - Egito dos Faraós
É muito interessante analisar a origem das palavras, vários indivíduos, fonólogos, gramáticos, semiologistas ou simples estudiosos já o fizeram e por vezes dedicando toda sua vida ao assunto.
Mas não menos interessante é o estudo da origem das letras.


Caiu-me às mãos, não me lembro se livro, revista ou impresso qualquer, uma tabela com a origem de algumas letras usadas nas línguas ocidentais. Só por mera curiosidade observemos as nove primeiras letras do nosso alfabeto e suas variações desde as priscas eras da escrita hierática (sagrada) do Egito dos Faraós, aquela que permitia aos escribas do reino escrever rapidamente nos papiros, até à escrita gótica dos monges medievais, que escreviam livros manualmente e que foi adotada por Gutemberg em sua prensa ao imprimir os primeiros livros.

Observe-se o A: os fenícios, povo que viveu aproximadamente de 2300 a 1200 anos AC, habitante de uma nação ao norte do atual Israel, provavelmente a região da bíblica Canaã, adaptaram o A do hieroglifo egípcio, sem tirar nem por, e posteriormente os gregos giraram o A, que parecia um K, colocaram o traço no meio e, pronto, eis nosso A cuja forma minúscula parece ter voltado aos escribas egípcios com os Carolíngios, o reino franco de Carlos Magno, por volta do ano 800 DC. 
Os fenícios deturparam o B egípcio, em compensação, os gregos o recuperaram colocando um traço ao lado. Já o C não tem nada a ver com suas origens remotas: só se tornou um c como o conhecemos atualmente com a civilização romana clássica, pós grega. Enquanto o D, esse veio diretamente dos fenícios, tendo-se apenas arredondado o delta grego pelos romanos, tendo os monges acrescentado um rabinho à direita em seus escritos manuais, rabinho esse prolongado pelos franceses e conservado em sua forma minúscula até hoje!
O E tem uma evolução interessante: os fenícios giraram o E egípcio 90 graus para a direita e posteriormente os gregos o espelharam, deixando a forma maiúscula do jeito que está até hoje enquanto a forma minúscula foi transformada pela escrita medieval e moderna.
A letra F foi adaptada pelos gregos como Phi diretamente dos fenícios em sua forma minúscula, mas, no grego clássico, foi transformada no F maiúsculo que conhecemos. Acredito que sua forma minúscula, o f, é uma variação direta e próxima do Phi.
Interessante é que o G como o conhecemos, não existia em nenhuma outra língua ancestral, e apareceu com os romanos. Provavelmente como uma variante do Zeta grego, pois a forma minúscula do zeta lembra bastante o g minúsculo! Com a palavra os helenistas.

Com o H, quase a mesma história evolutiva do D: apareceu com os fenícios e quase não mudou nada ao longo dos séculos, permanecendo com a mesma grafia maiúscula, apenas redesenhada em sua forma minúscula pelos monges escritores da idade média.
Observe o I: perdeu seus tracinhos egípcios e fenícios e foi minimalizado como um simples traço até hoje, tendo a escrita gótica colocado o pingo nos iis. Parei. Deixo aos filólogos analisar as demais letras, mas penso que todas devem ter tido as mesmas origens e a mesma modo evolutivo.
Observemos apenas que as maiores transformações ainda são relativamente recentes e foram impostas pelos monges desenhistas/escritores ao escrever seus livros de forma manual em seus "scriptoria".
Link para complementação a respeito da escrita medieval:

http://www.spectrumgothic.com.br/gothic/gotico_historico/caligrafia_medieval.htm


domingo, 3 de agosto de 2014

Súplica de Alzheimer













Não me peça prá lembrar
Não tente me fazer compreender, não
só me deixe descansar
e saber que aqui você está
a beijar meu rosto e segurar minha mão.

Estou confuso, triste e perdido
mais do que você pode imaginar
e tudo que sei é que preciso
que você esteja comigo
a meu lado a me proteger acima de tudo.

Não perca jamais sua paciência, por favor,
não adianta essa situação amaldiçoar
eu não posso fazer nada
nem meu jeito mudar
nem que me ponha a tentar.

Só lembre que jamais precisei de alguém
como preciso de você agora.
O melhor de mim já se foi,
não desista de estar a meu lado
apenas me ame até eu ir embora.

(Esse poema é uma livre tradução do inglês e foi encontrado na porta de um quarto de um paciente hospitalizado com o mal de Alzheimer em um hospital americano)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Notas de viagem 3 - Londres 2014


O que posso dizer que curti em Londres?
Poderia falar da beleza e da imensidão dos parques, principalmente de Kensington, onde moraram as princesas Margareth e Diana, da limpeza da cidade, uma das maiores do mundo, mas como curto pequenas e às vezes insignificantes coisas e momentos, alguns e algumas se tornaram inesquecíveis para mim e para qualquer cristão ou muçulmano que veja ou reveja essa antiquíssima City of London, ou The City, como a chamam os nativos.

Confesso que me arrepiei e lágrimas me vieram aos olhos atravessando aquela famosa faixa de pedestres em Abbey Road, capa de um disco dos Beatles, em frente aos estúdios da Apple Records.


Penywern Road, em Earls Court, é quase uma cidade independente.
Aí, próximo a um pacato, pequeno mas confortável hotel três estrelas onde ficamos, encontrei uma mercearia de um indiano onde as frutas têm um viço inacreditável, parecendo colhidas direto do pomar do Raaji que lhes dá um lustro especial. As bananas são mais bonitas que essas brasileiras que costumo comprar aqui nos supermercados.
Um dia perguntei-lhe de onde vinham suas frutas e ele me garantiu que eram do Marrocos!

Aliás, os hotéis 3 estrelas em qualquer lugar do mundo estão mais para hostels: quartos cada vez mais mini e sem frigobar; só falta colocarem um baheiro comum, em compensação, as proximidades compensam.
Earls Court é uma cidade à parte: estações de metrô, parques, restaurantes espetaculares e não tão caros, lojinhas, butiques, casas de câmbio e o escambau. Andar a pé por suas ruas é viver a cidade duas vezes...

Atualmente ir a Londres e não entrar na London Eye, uma super roda gigante de cabines, próxima à London Tower e à beira do Tâmisa, é mesmo que aquela velha estória de ir a Roma e não ver o Papa...se não foi ou perdeu o passeio, perdeu playboy.

Quando sua cabine está no
ápice da roda, você está no ponto mais alto da City, de onde você tem uma visão de 360 graus.

Uma das coisas que me deu prazer e confiança em Londres são seus taxis. Mesmo desconfiando que você é turista, nunca dão arrodeios ou erram o caminho de propósito. O interior dos taxis tipicamente londrinos parecem o interior de uma velha carruagem ou de uma diligência do velho oeste: há sempre um ou dois banquinhos de costas para o motorista e em frente ao banco principal. Um achado, porque cabem até seis pessoas e separando esse espaço e o do motorista, há uma pequena abertura de onde pode-se entabular um bom papo com o dito cujo. E quem disse que londrino é frio ou fleumático? É só puxar o papo. Acho que por isso preferimos pegar taxis a pegar aqueles famosos ônibus de dois andares, o que seria uma boa não fosse o frio da estação.

As cabines telefônicas são bem típicas, porem para nós, turistas, apenas mais um item para fotos e selfies.
Monumentos e palácios têm tanta história nessa cidade que fosse falar de cada um teria de fazer um guia turístico-histórico ou outra Wikipedia. Uma estória contada por um guia entretanto chamou-me a atenção: há uma lenda que reza que a monarquia inglesa sobreviverá enquanto os corvos da Torre de Londres não a abandonarem. Visto isso, como os ingleses parecem acreditar muito em mitos e lendas, vide Harry Potter, O Senhor dos Anéis e outras afins, existe um batalhão de guardas e funcionários na Torre só para cuidar dos corvos e sua prole, e ai de quem matar um corvo na City!

Aliás, falando em Torre, os guardas londrinos da cavalaria do Palácio de Buckingham são iguais aos policiais brasileiros em matéria de polidez, fugindo totalmente do padrão britânico - presenciei vários deles aos gritos, impondo ordem numa fila, botando os cavalos para cima de uma turba de abestados que queriam apenas presenciar a troca da guarda.

Fomos ao Harrods, super loja de cinco (ou mais) andares e um quarteirão quadrado, aliás, mais para shopping à moda antiga do que para loja. Tinha tudo mas nada interessante, nem os preços! Um dejá-vu. Alguém me falou que a loja/shopping/magazine-store do sogro da princesa Diana, que Deus a tenha, foi vendida a um árabe por 4 bilhões de dólares (ou terão sido Libras?!)... o que alguém faria/fará com tanto dinheiro! Não o famoso personagem avarento de Balzac, Pére Goriot, teria condições de manuseá-lo nota por nota, moeda por moeda, tantas quantas as estrela da Via Láctea.
Pessoas entretanto me interessam mais que monumentos ou lojas (exceto as de informática e a loja ecológica da National Geography Foundation, inaugurada em 1888...)


Próximo à estação de metrô de Penyworn encontrei um morador de rua todo encapotado de casacos surrados lendo um sebento "Animal Farm" de Orwell ao lado de um cão viralata bem atento. Após a doação de algumas moedas entabulamos uma conversação começando pelo livro, depois pela raça do cachorro que, por sua vez, me encarou com cara feia ao me ver aproximar mais. Seu breeding era tão misturado que não dava mais para identificar nenhuma raça nele.

Em uma parada próxima a Buckingham o guia brasileiro de contou toda sua estória como imigrante. Daria toda uma novela à parte que não caberia num post desse blog mas que ouvi com interesse pois humana e interessante em seus detalhes e modo emocionado de conta-la desabafando a um patrício.

A volta por uma companhia aérea portuguesa foi melancólica: um atraso de quase doze horas e um portuga velho atrás de mim chutando a poltrona p da vida porque reclinei o assento do avião que ia fazer escala em Lisboa. Também pudera, as poltronas desses Boeings estão cada vez mais apertadas... Como sofrem os gordos nessas viagens!



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Notas de Viagem - Bélgica 2014 e seu ídolo mijão!


Os belgas estão cada vez mais corteses! Como o trem para Bruge estava lotado, fiquei em pé na parte traseira das cadeiras, (poderia até dizer poltronas, mesmo). Uma senhora jovem de pronto me ofereceu o lugar. De início recusei (ou por vaidade, considerando-me não tão idoso que não pudesse permanecer em pé ou porque tratava-se de uma mulher resolvi desvendar meu lado cavalheiro) mas prevendo o cansaço por permanecer em pé em uma viagem de mais ou menos uma hora de duração, aceitei a idade e sentei-me.

Aliás, o trem Eurostar europeu que vai a Londres não corresponde exatamente à ideia que se faz dele: atrasos, conversas altas, risadarias, espaço igual a avião, malas isoladas em plataformas de entrada e outras mumunhas, bem diferentes dos trens com cabines de outras empresas.

Inglês é ainda é a língua universal e europeia.
Francês de colégio e gramática não adianta - francófonos estão falando igual a americano - não entendem fala lenta, melhor então falar logo inglês.

Bruxelas tentou imitar Paris em algumas coisas ou quase tudo: na arquitetura, nos arcos, em uma torre, nos palais, nos boulevards, em um arremedo de La Défense, até na própria língua. Exceção feita ao Atomium, monumento de ferro sui-generis imitando um átomo de ferro, que provavelmente representará para Bruxelas o que a torre Eiffel representa para Paris.

O tal Manneken-Pis é uma pegadinha. Uma miniatura de estátua de uns 30 cm, de um garoto nu mijando água eternamente de uma fonte. Não se sabe se mineral ou natural, o certo é que não se pode beber. Beber-se-ia e a fonte logo, logo secaria, pois a multidão de turistas ao seu redor, apinhando-se para uma fotografia ou um selfie, também deve estar sedenta! Diz-se que essa pequena estátua tem trezentos e noventa e tantos anos! Na verdade a ideia tem essa idade porque segundo contam os belgas, o legítimo Manneken-Pis (garoto mijando) foi roubado por uma ladrão, no século 19, (provavelmente para vender o bronze). O Manneken atual é uma réplica.

Pegadinha para turista desavisado? Diz a lenda que se tratava de um pequeno herói, o filho de um Duque, que nos meados da Idade Média, no meio de uma batalha contra invasores, subiu em uma árvore e ficou urinando na cabeça dos soldados inimigos. A lenda infelizmente não conta o que aconteceu a seguir com o garoto que passou a ser símbolo da coragem belga.
Dizem que há uma cópia desse Manneken no Rio de Janeiro! A propósito de que, não sei...

Bruxelas tem problemas com placas: indicações ausentes em elevadores, estações, ruas, etc. Ainda bem que semáforos são raros - respeitam demais os pedestres e os VLTs dominam as ruas.
Cães parecem ser mais populosos que belgas. Estão em toda parte, até em trens, ônibus e hotéis.

Em Bruxelas aprendi uma etimologia interessante: a origem das palavras correspondentes a Bolsa de Valores e Bancos.
Burlem é bolsa: famílias judias ficavam em calçadas com bolsas contendo valores, sentadas em banquinhos, e negociavam qualquer coisa, inclusive papeis, títulos, notas promissórias, trocas de dinheiro, etc. Daí, Bolsa e Banco.

Internet por ai afora? Igual ao Brasil. por enquanto, muito ruim; ponto negativo.
Honestidade? Ponto positivo: ainda no trem, anunciaram um brinco de ouro perdido no lavabo; no hotel, não conferiram o frigobar no checkout; perguntaram o que nós consumimos.

Notas de viagem - Paris 2014, algo mudou!


Em Paris atualmente se fala mais inglês em qualquer lugar, ao contrário de algum tempo (não muito distante) atrás, quando além de não se encontrar muitos franceses dispostos a dialogar na língua de Shakespeare, por orgulho da própria língua, por um certo nacionalismo exacerbado ou mesmo por não gostar de aprender uma língua bárbara.

Mudaram as circunstâncias, mudaram os hábitos.

Os recepcionistas de hotel estão gentis e prestimosos.
Os garçons estão mais divertidos e servem com prazer, não mais com aquele ar blasé e indiferente, de quem está apenas cumprindo uma função, como por exemplo os garçons de Veneza...

Os funcionários de guichês de trens, metrôs e museus orientam as pessoas com prazer. Os guardas, das corporações ou particulares parecem mais guias turísticos! Alguma coisa aconteceu.

Talvez com a crise europeia, que já dura mais de dez anos, houve uma seleção darwiniana - sobreviveram os mais aptos, ou pelo menos os que se empenharam mais ou desempenharam melhor seu papel, sua profissão. O que de certa maneira foi bom para o turismo, para a França e para o astral dos franceses.

Gastronomicamente falando, tirando a historicidade e a fama do Cafe de Flore e do Les deux magots, o que dá o cheiro e o sabor de Paris não são seus restaurantes chiques mas, simplesmente, seus croissants, com seus cheiros e sabor inigualável, que apesar de tentarem imitar em vários lugares do mundo, são inigualáveis e a lembrança do sabor fica grudada na boca e no cérebro, assim como o famoso e saboroso Magret de canard, prato tipicamente francês, que, por si provoca vontade de voltar à cidade luz. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

A Copa brasileira e a Física


Essa Copa 2014 traz algumas lições da Física que os próximos treinadores, se soubessem, escolheriam melhor seus jogadores, se tiverem algum conhecimento e interesse em Biomecânica.

A era do futebol-arte se encerrou.! O que temos hoje é o futebol do mais forte, dos encontrões, dos empurrões, dos puxões, das derrubadas ao chão, das caneladas e pisões, da permissividade de juizes e isso não é páreo para atletas magros ou de médio porte. Baixos e/ou magros não estão mais com nada, a não ser que compensem seus parcos dotes com capacidade de aceleração ou velocidade maior. Um atleta de futebol moderno precisa de algumas qualidades físicas essenciais: biotipo de maior altura e massa e capacidade de desenvolver velocidade e aceleração.

A equação da relatividade é semelhante à equação da "Massa viva" , do impacto e da inércia: E=MV2-> I=mv. Ou seja, quanto maior a massa e a velocidade, maior a dificuldade em ser barrado, freado, agarrado, derrubado ou parado.
Quanto aos goleiro: mais altos, mais elásticos e sobretudo com mais reflexos e visão periférica (tipo Júlio César mesmo).


Neymar, é exceção? O que o salva é sobretudo sua velocidade e resistência. Compensa sua falta de massa corporal com mais velocidade, reflexos e sobretudo percepção global do campo e suas possibilidades de jogo. Craque realmente raro, embora no estilo antigo, mas como há velocidade na equação , obtém vantagens disso, apesar de ser um magrelo fácil de ser agarrado ou derrubado, chutado e pisado. Um craque, mas não se sabe até quando vai aguentar tanta contusão!
Lógico que não adiantará nada escolher brutamontes pernas-de-pau, lentos e obtusos.

Essa é a lição que um ex-professor de Biomecânica do Movimento Humano tira dessa Copa, embora ele saiba que interesses Fifentos, interesses de clubes e influências de amigos ou da mídia e até quem sabe, interesses financeiros é que determinarão os atletas escolhidos para as seleções...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Mensagem de Krishnamurti aos crentes

"A CRENÇA é uma negação da verdade. Crer em Deus não é encontrar Deus. Nem o crente nem o incrédulo encontrarão a Deus porque a realidade (de Deus e do universo) é desconhecida e vossa crença ou não no desconhecido é uma mera projeção de vós mesmos, portanto não é real.
Deus ou a Verdade é algo que advém de instante em instante e isso acontece em um estado mental de liberdade e espontaneidade e não quando a mente está disciplinada de acordo com normas e rituais.
Deus não é produto da mente e não surge mediante projeções de nós mesmos (como os deuses gregos) e Ele só se manifesta quando há virtude e liberdade, ou seja, quando a mente está serena sem projeções de pensamentos conscientes (ou induzidos), só então advém o Eterno..."

Jiddu Krishnamurti (1895-1986)
Filósofo, escritor (mais de 30 livros) e educador indiano.
Seus livros mais conhecidos:

  • A Educação e o Significado da Vida
  • Comentários sobre o viver
  •  Libertação dos Condicionamentos
  • Reflexões Sobre a Vida
  • O Vôo da Águia
  • Aos pés do Mestre

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Volverina

Hoje pela manhã estava no PC a teclar, quando de repente um ponto preto, a um palmo do monitor, me olhou a como que pedindo socorro! 

Era Volverina, batizada pela ciência, segundo o Google, de  Phylaeus Crysops, uma aranha papa-moscas de estimação. Ela passeia sobre o móvel do computador comendo mosquitos e formigas, moscas não há. Formigas são a pior peste para aparelhos eletrônicos: fazem formigueiros em circuitos e papocam seu PC. Volverina é uma espécie de faxineira do gabinete. Mas pelo jeito com que ela ficou paradinha, sem muito movimento, percebí tudo!

Ontem botei formicida num cantinho do móvel de onde estavam saindo formigas...
Lembrei-me de um cão policial de um vizinho na casa de praia que morreu após o dono botar veneno prá matar ratos... Olhando Volverina, encolhida e parada, lembrei-me também dos agricultores morrendo de leucemia no interior do Ceará por conta de agro-tóxicos. Ah, o preço que pagamos pela química da sociedade industrial!

Encostei nela um pedaço de papel, ela se agarrou ao papel e coloquei-a num cantinho escuro do móvel, atrás de um porta-retratos. Já é quase noite mas até agora Volverina, ou  Crysops, como queiram, não reapareceu!

quinta-feira, 23 de maio de 2013














ANIMÍA

Nós, reabitantes
de um mundo de pedras
e águas,
em que(m) cremos?
Os credos cheios,
em que(m) devemos crer?
Igrejas em ruínas,
em meio a escombros
que fazer?
Andamos.

Feito ondas
a se quebrar
em quebra-mar
não se sabe de quem.
Polvos
a nos multiplicar
em inúteis tentáculos
Mariscos
a nos arrastar
ao sol aqui
e ali se esconder.
Salmões malucos
a querer lutar
contra as correntezas.

Nós,
reabitantes
de um mundo de pedras
e águas,
ainda cremos.

winston

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sobre "O cão iluminado": o autor se retirou ao deserto das letras para catar mais palavras e casos para depois, quem sabe, publicá-lo como um pequeno e despretensioso livro, como era sua intenção desde o início, quando foi abandonado no 4º capítulo, quando apareceram um tal Marley e outras pieguices desestimulantes.
Daqui em diante escreverei "au vol d'oiseaux", e quem tiver paciência e vontade de ler, talvez o lerá em outro formato, não no blog, que inclusive corre o risco de ser clonado por algum estelionatário literário e aparecer com outro título e com o nome de outro autor. 

domingo, 2 de dezembro de 2012


É preciso saber viver, estar muito vivo e com a mente e as orelhas abertas para ouvir o sax alto derretedor de tímpanos de Dexter Gordon , um músico negro americano fugido dos preconceitos e da falta de oportunidades  em sua terra natal e acolhido em Paris onde fixou morada durante 15 anos, aplaudido em toda a Europa do pós guerra, onde fez inúmeras tounées.

Na França elaborou o LP “Great Encounters”  onde toca “Cake” com Johnny Griffin , mas o fino mesmo é a raridade gravada no Montmartre Jazzbus Festival em  1965 que ainda se pode pescar no YouTube!.

Gordon só voltou aos Estados Unidos em 1976, apresentando-se com sucesso no Village Vanguard no bairro de Greenwich Village, em Nova York. Quem assistir ao filme “Round Midnight”, sobre a vida atormentada de Bud Powell, outro músico de Jazz, vai vê-lo tocando e fazendo o papel de um saxofonista, papel no qual recebeu uma indicação ao Oscar.

Jante. Acalme-se. Coloque ao lado do som um cálice de licor de tangerina, de preferência made in Ceará e enquanto o licor desce macio, amacie o sentido da audição deixando a mente fluir nas divagações sonoras  de Kenny Drew e do solo lancinante de Dexter.

E basta, a noite do fim de semana está ganha. O resto é figuração e nada mais é fantástico! Voce  já está preparado para dormir. Sua mente jaz no jazz, enquanto o mundo lá fora também jaz e o cérebro adormece com Dexter (que Deus o tenha no paraíso) solando os últimos acordes do clássico, romântico e antológico “Misty” , do Montmartre Jazzbus, à sombra da torre Eiffel.

Ouça:

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Anti-tempo



“Oh tempora, oh mores”, como já disse um sábio/filósofo das antigas e em latim.
Que tempos são esses, que costumes são esses?

Como conviver com um tempo anti-tempo de assassinos abundantes, impunes e imune às leis?
Como conviver com um tempo tão anti-tempo onde massas de zumbis drogados se amontoam em portais de templos religiosos e prédios públicos?

Como conviver e sobreviver em  um tempo e com um tempo de tantos genocidas, parricidas, matricidas, uxoricidas e infanticidas?

Como conviver com a náusea de um tempo onde a prática da pedofilia vem de onde menos se espera?

Como conviver cara a cara com um tempo de abortados, abortandos e aborteiros?

Como conviver com um tempo em que a justiça humana é obscura, cega, surda e muda, a justiça divina também tarda e os burros andam de farda ou jaleco e alguns de toga?

Como conviver com e em um tempo tão anti-tempo transformado em guerra diária e perene de sobrevivência em um reino de Thanatos?

Reinventando-se, reinventando a sociedade? Acordando da apatia geral? Convocando-nos em rede social? Está o ser humano em processo involutivo? O mais apto em um conceito darwiniano atualizado é aquele que consegue portar armas e se impor violentando a sociedade ou quem consegue barbarizar impunemente e protegido por leis caducas?!

Não precisa explicar nem responder;  só queria entender  e  poder exortar a quem de direito  um retorno ou o avanço a algum tempo onde o homem deixa de ser o lobo do homem, as crianças poderiam brincar tranquilas em escolas e praças e as famílias pudessem ainda colocar o papo em dia com os vizinhos ou as cadeiras nas calçadas de quem mora em casas.
Onde a paranoia social fosse apanágio apenas de psicopatas.

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração,
tempo em que não se diz mais: meu amor
porque o amor resultou inútil."
(C.Drummond de Andrade)



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sentimento em 3D


Embaixo,
Uma saudade morna
(de mim mesmo)
Girando em louco turbilhão
Movendo moinhos mentais
Moendo imagens e fatos
Colagem primitiva
Charada viva.

Ao fundo
Tocando fundo
O Concerto de Warsóvia
Colcheias e semicolcheias
Suspensas,
Despencam pesadas
sobre cabeças não coroadas.

No alto
A passos lentos
A lua, alva, gorda e nua
Grávida de tantos sonhos
The high and the might
Alvo perfeito de sonho terrorista
Por desespero de causa saudosista.

winston

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Correntezas

















A vida rola sobre eixos
de seixos soltos
e incertos
em leitos
de rio-tempo.

Molhada de vento
e dengo de musgos
e música
Um tango ao som
das correntezas.

Um toc-tac-toc
de incertezas
Um foron-fonfon
de belezas
à la Piazzola.

E os seixos a rolar
sob os eixos das vidas
rios lentos e curtos
no leito do tempo
r(e)al.

winston

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Agnosía Teológica de Einstein


"Não posso conceber um Deus “pessoal” que pode influenciar diretamente as ações de indivíduos... Minha religiosidade consiste em uma admiração humilde de um ente infinitamente superior que se revela no pouco que compreendemos do mundo conhecido.

Uma convicção profundamente emocional da presença de uma força superiora que se revela no universo incompreensível; essa é minha ideia de Deus.

Acredito no Deus de Spinoza (perspectiva panteísta: Deus está em tudo) , que se revela nas leis harmoniosas do mundo, mas não em um Deus que se preocupa com destinos e ações da humanidade.

Animais, vegetais ou poeira cósmica - todos dançamos ao som de uma música misteriosa sob a batuta de um maestro invisível!

Quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado nesse ou naquele fenômeno em particular, no espectro específico desse ou daquele elemento. Quero saber Sua maneira de criar. O resto são detalhes...

Hoje eu olho as tradições doutrinárias somente de uma perspectiva histórica e psicológica; nâo têm nenhum outro significado para mim."

(Extraido do livro “The Ultimate quotable Einstein”; Ed. Princeton University Press; 1ª. Ed.  2011)- (empréstimo do amigo Dr. Pedro Brito).

A propósito, será mesmo verdade que o físico brasileiro César Lattes chamou Einstein de "fraude" em uma entrevista a uma revista?
Acesse:
http://faroldobuscador.blogspot.com.br/2012/04/albert-einstein-e-uma-fraude.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mais um plágio em música clássica?


Ou como afirmam os experts: apenas mais uma coincidência musical entre uma  peça de Bach e uma de Giuseppe Tartini?

 400 anos usamos  uma escala musical de somente 12 sons:  sete tons, do dó ao si, e cinco semitons, baseados em um hino medieval  em latim em homenagem a São João, onde as primeiras sílabas continham os tons:

UT queant laxis, REsonare fibris, MIra gestorum, FAmuli tuorum, SOLve pollute, LAbii reatum, Sancte Ioannes, onde o Ut posteriormente virou Dó.
 
Ou seja, 12 tipos de tijolos para construir grandes castelos musicais!
Doze micro elementos sonoros para compor um universo de música!
Não há como não acontecer “coincidências”, até (e principalmente) nas esferas da música clássica, onde as composições são verdadeiros oceanos sonoros.

Todo esse babado inicial é a propósito de mais uma “coincidência musical” entre autores clássicos. Em matéria de música, sou eclético. Tenho preferências e as boas peças musicais de diversos gêneros, clássicas, pops, jazz, bossa, sambas, forrós, lambadas, marchinhas, rocks, não interessa qual tipo, compositor ou cantor, a boa música fica, reverbera nos ouvidos e gruda no meu cérebro por um bom tempo, quiçá, por toda a vida.

Acabei de ouvir pelo youtube os últimos acordes de “A trilha do Diabo”, de Giuseppe Tartini, um concerto para violino e pianola e imediatamente me reportei aos acordes da “Chacona” de João Sebastião Bach!

Inspiração? Cópia? Coincidência? Plágio?

Tartini, nascido em 1692 e falecido em 1770, tinha 42 anos quando João Sebastião morreu, também compôs “Variações sobre um tema de Corelli”.

Em relação a Corelli, ele deu os créditos, em relação a Bach, ocultou.

Dizem os historiadores de música que nessa composição Tartini sonhou com um pacto (à la Fausto) entre ele e Mephisto, onde após ter entregue seu violino ao chifrudo, o dito cujo tocou para ele toda uma sequência de “trillos”, entregando-lhe, já pronta, sua peça mais famosa, a Sonata para violino e pianola mais conhecida como a trilha do diabo ( o mais correto seria: “Os trillos do diabo”).
 
Esse Giuseppe era na vida real, chegado a uma malandragem, era flor que não se cheira. De acordo com os colaboradores da Wikipedia, seduziu a sobrinha de um Cardeal de Roma e foi condenado à prisão. Para fugir, se refugiou num mosteiro. Foi lá que teve o sonho com belzebu.

Acesse:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Tartini

 Poderíamos tergiversar e dizer que o último movimento de “A trilha do Diabo” é também uma chacona, uma vez que uma chacona, à época, era como música de pagodeiro, todas se parecem e têm a mesma batida, ou no caso, o mesmo andamento. As chaconas não passam de progressões harmônicas em espiral cromática da escala musical que teve seu auge no período barroco. Uma chacona ao mesmo era uma peça que se podia usar para as danças de salão medievais. Por seu andamento em 1-2-3 são precursoras das valsas.
 

Ouça a “Trilha” em:
http://www.youtube.com/watch?v=jmMfVKD517Q

Luar sobre Fortaleza

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O Sudoku de Ant.Gaudi no portal da Sagrada Família em Barcelona

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