terça-feira, 17 de agosto de 2010

A velha agenda telefônica

Quando se muda de uma agenda velha e surrada de telefones e endereços, eletrônicos ou não, para uma outra e se dispõe a repassar tudo copiando-os um a um para uma agenda nova, ao se transcrever os nomes dos amigos é que se pode perceber o quanto a amizade ou o coleguismo é realmente circunstancial, temporal, pontual e, o tempo mostra, a maioria nem merecia o rótulo de amigo ou nem mesmo o nome anotado em sua velha agenda!
Aliás, se um verdadeiro amigo tem seu nome em sua caderneta de enderecos não deveria nem ser incluído como amigo, pois do amigo que se preza e merece esse nome você deveria ter o numero do telefone ou seu email guardado de cabeça.
Faça um pequeno teste.
Se um nome de um suposto amigo está lançado, há mais de três anos seguidos, na velha agenda telefônica, retire-o da nova lista. Se após algum tempo voltar novamente a ocupar espaço em alguma letra da nova agenda, se nâo foi por outro motivo que não o da mizade, retire-o, apague-o, delete-o, seja radical, esse nome não é verdadeiramente o de um amigo.

Essa é uma das vantagens de se transcrever surrados e antigos nomes para uma nova agenda – é um verdadeiro “feng-shui”, (a teoria chinesa que representa o conhecimento das forças necessárias para conservar as influências positivas que supostamente estariam presentes em um espaço e redirecionar as negativas de modo a beneficiar seus usuários).

A transcrição é uma limpeza de relacionamentos, de alma e de almas, uma renovação.
Caderneta telefônica velha é como retrato antigo. Gera riscos, gera risos, gera raiva, gera vontade de rasgar folhas, mas provoca um misto de saudade e de ressurgimento.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Carl Rogers

Quem?
Um grande psicólogo, psicoterapeuta, escritor, filósofo e teórico, atuante nas décadas de 70 e 80, cujas teorias, no Brasil, foram “abafadas” pela ditadura militar. Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 18 de Janeiro de 1987.
Existem doze filmes sobre o seu trabalho, e um elevado número de documentos sonoros e audiovisuais, que desvelam seus modos de ser como psicoterapeuta e pedagogo.
Publicou 16 livros, dentre os quais se destacam: "Tornar-se Pessoa" e "Um Jeito de Ser".

Ele marcou não só a Psicologia Clínica, como também a Psicoterapia, a Administração – de empresas e de escolas - o Aconselhamento Psicológico, a Educação e a Pedagogia, a Psicopedagogia, a Orientação Educacional, assim como a Literatura, o Cinema e as Artes, de modo explícito ou implícito, de modo consciente ou não.
Rogers fez severas oposições aos conceitos deterministas de ser humano, buscando fundamentar-se nas Filosofias Humanistas Existenciais e utilizando-se do método fenomenológico de pesquisa. Para Rogers, cada pessoa possui em si mesmo as respostas para as suas inquietações e a habilidade necessária para resolver os seus problemas. Por isso, o sentimento de pena e o determinismo seriam maneiras de negar a capacidade de realização de cada indivíduo.
Ficou famoso por desenvolver um método psicoterapêutico centrado no próprio paciente. O terapeuta tem que desenvolver uma relação de confiança com o paciente para poder fazer com que ele encontre sozinho sua própria cura.
Ao contrário de outros estudiosos cuja atenção se concentrava na ideia de que todo ser humano possuía uma neurose básica, ele rejeitou essa visão, defendendo que o núcleo básico da personalidade humana tende à saúde e ao bem-estar. Tal conclusão foi resultado de um processo de investigação científica desenvolvida por ele.

Rogers se opôs à teoria de Skinner de que a personalidade do homem seria moldada pelo meio por meio de condicionamentos. Para Rogers, todo o aprendizado deveria ser organizado no sentido do indivíduo para o meio, e não o contrário.

O que disse basicamente?

·         A questão é saber se podemos permitir que o conhecimento se organize no indivíduo e pelo indivíduo, ao invés de ser organizado para o indivíduo.

·         Minha experiência tem sido: eu não posso ensinar outra pessoa como ensinar...

·         Tudo o que pode ser ensinado a outro é inconsequente e tem pouca ou nenhuma influência sobre o comportamento.

·         Cheguei à conclusão de que a única aprendizagem que realmente influi significativamente no comportamento é a que decorre de descobertas e aquisições feitas por nós próprios.

·         Uma aprendizagem não consegue ser “comunicada” a outrem. No máximo “induzida”.

·         Em consequência do que digo acima perdi todo interesse em ser um “professor” (no sentido clássico e paradigmático).

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Apenas isso


Apenas um anoitecer de Julho sentado numa varanda de um ap qualquer, observando embaixo, bólidos lustrosos apressados encarrilhadamente irritados e acima, o céu profundamente azul e estrelado de Julho.

A brisa vinda do mar, do leste ou do sul, traz sons de pistões de um blues, misturado a batuque afro de pagode de um vizinho antípoda.
Da estante, velhos e aposentados cachimbos me fitam com olhos-bojo de esquecidos que guardam lembranças de priscas e acesas eras quando disputavam pitadas mescladas de half-and-half com cuba-libres nem tanto.

Uma ale Devassa ou uma pilsen Nobel toma-lhes o lugar no sensório, acompanhada de picles e batata-chips, contrabalançando com seu azedo-salgado, o doce lirismo da tarde.
É preciso viver as tardes, consumir as tardes, incensar as tardes.

Eis a vida! Felicidade é o cotidiano m(t)édio. A média e o tédio do ordinary people, lavado no correr das horas mansas, resistindo ao temp(l)o do sufoco e ao sufoco do tempo, a entrar em alfa num voo zen no céu de Julho de Fortaleza,  a cidade beleza .
Apenas isso. 

domingo, 4 de julho de 2010

Sobre geminianos - horóscopo dedutório

Os nascidos em Junho, observei, têm uma tendência incrível a serem famosos!
Tudo o que fazem cheira a sucesso.
Têm tendência a não ser apenas um rosto na multidão.
O que dizem é aumentado.
O que escrevem é publicado.
O que fazem é multiplicado.
O que produzem é compensado.
Aparecem, se sobressaem,  a não se tornam invisíveis sociais.
Os nascidos em Junho, mesmo não tão bem nascidos, um dia o serão, terão berço nem que fictício... fama e fortuna os acompanharão. (Mais a fama que a fortuna.)
Podem subir como foguetes de São João mas podem cair fácil como balões idem.

Computei: Camões, Guimarães Rosa, Noel Rosa, Machado de Assis, Jean Paul Sartre, Maysa Matarazzo, Nelson Gonçalves, Lamartine Babo, Ivon Cury, Erasmo Carlos, Wanderlea, Clodovil e mais, isso é uma pequena amostra grátis brasileira de geminianos.
A lista de gêmeos internacionais é tão grande, a começar de São João, que poderíamos uma revista, um capítulo de livro ou blog na internet. Falando em internet, seu fundador, Tim Bernes Lee aniversaria em Junho.
Citemos, de embolada, alguns internacionalmente conhecidos, vivos ou mortos, antigos ou atuais.

Podemos começar por Gutenberg, o inventor da imprensa, nos idos da renascença, ou pelo rei mais famoso de todos os tempos, principalmente porque seu apetite sexual mudou socialmente o império inglês: Henrique VIII. Falando em Inglaterra, o atual Príncipe William, herdeiro do trono e George Orwell, escritor de “1984”, “A revolução dos bichos”. Mais alguns escritores famosos geminianos? “O Pequeno Príncipe”: Antoine de Saint Exupèry, nosso grande Machado de Assis, Saul Bellow, prêmio Nobel de literatura, Pearl Buck, autora dos melhores livros sobre a sociedade chinesa, Salman Rusdie, o “maldito” e perseguido, que revelou uma face do Islam ao mundo, o maior inimigo do Islam, George Bush, seu antípoda Che Guevara, o mito revolucionário, Anne Frank, a do “Diário...”, símbolo do sofrimento humano sob o nazismo, William Yeats, poeta irlandês, Jean Paul Sartre, escritor e filósofo existencialista e o filósofo e gênio da matemática Blaise Pascal, o do famoso teorema. O gênio das finanças: Donal Trump;  o gênio e criador da guitarra elétrica, Les Paul, um famoso guitarrista do jazz, Chet Atkins,  a dama do jazz Lena Horne, o príncipe do jazz Chick Corea, o compositor genial americano Cole Porter, cantor e compositor americano Lionel Ritchie, compositor pioneiro da música clássica moderna: Stravisnsky, o gênio da arquitetura moderna Frank Loyd Wright, o criador e pioneiro dos desenhos ilusionistas, o suíço Escher, um  gênio da pintura francesa, Paul Gauguin e o francês  Jaques Cousteau, o maior explorador submarino de todos os tempos.

Os grandes diretores de cinema Mel Brooks e Billy Wilder (“Se meu apartamento falasse”).
Aniversariantes de Junho famosos na tela? Nessa página não caberiam todos. Mais uma amostra de geminianos na telona: Judy Garland, o “magro” Stan Laurel, o “capa-e-espada” Errol Flyn, o homem aranha Toby Maguire, Johny Depp, Nicole Kidman, Merryl Streep, Cathy Bates, Hugh Laurie (“House”), e, last but not least, a hyper Marilyn Monroe!
Cantores  internacionais de Junho? Que tal começar por George Michael? Ou Cindy Lauper; ou a voz mais baixa e profunda do ator e cantor Khris Kristofferson, ou do ator e cantor Dean Martin, aquele das baladas românticas e das comédias de Jerry Lewis, eternamente com um dry Martini entre as mãos e a boca; Nancy Sinatra, não tão famosa quanto seu pai gostaria; Prince, tão famoso quanto não gostaríamos; o andrógino e de triste final, Boy George (do new-wave “Culture Club”) e o persistente beatle Paul McCartney.

No esporte? Tem geminiano de ruma:! Comecemos por Lou Gerig, o mais famoso jogador de basebol de todos os tempos e o mais famoso boxeador, também de todos os tempos até agora: Jack Dempsey. E ainda Ana Kournikova, Michael Phelps, Myke Tyson e Ralph Shumacher.

Bem, para contrabalançar, tem também os famosos de Junho que não estiveram do lado do bem! Pra não dar carne a gato, cito apenas John Dillinger, o mais famoso ladrão de bancos, considerado durante anos inimigo público número um pelo FBI...

Geminianos são gêmeos da fama, mesmo que passageira.
Enquanto isso librianos, coitados, podem até ser mais inteligentes e equilibrados que geminianos, mas nunca terão o charme e o sucesso destes.
Fama e fortuna são gêmeas e de Gêmeos!

sábado, 3 de julho de 2010

Est ce que c´est triste Venize?

Cést vrai, Asnavour, Veneza pode parecer triste! Não sei se pelos casarões, por seu estilo arquitetônico próprio, mourisco e vetusto, por seus eternos canais e lagunas, pelas calçadas e pontes de pedra, pelas gôndolas sempre balouçantes, pelo clima extremamente frio do norte da Itália, pelas roupas escuras de habitantes e turistas ou simplesmente por seu ar blasé! 
Veneza tem um toque diferente, como as Gerais, quem a conhece não esquece jamais.
Charles Azsnavour captou bem esse espírito na famosa canção: Veneza parece triste quando não se ama mais... como é uma cidade de destino turístico mundial para casais em lua de mel , ou para idosos que lá voltam para relembrar momentos passados, Veneza, mesmo nos meses de verão e outono, quando é muito frio mas faz um sol agradável, deixa passar esse sentimento. 
“Que c´est triste Venize au temps des amours mortes”, pode ser, mas em estando lá se pode apagar qualquer sentimento de perda.
Sentar em uma mesa de café da Praça de São Marco, olhando o Palácio dos Dodges (Palazzo Ducale), as gôndolas balançando à brisa e ao brilho do Gran Canal, a beleza da Basílica de San Marco, vendo grupos e casais do mundo inteiro passar, apesar do preço dos lanches e do café, isso não tem preço.
Depois do relax, visitar os interiores da Basílica (indescritível beleza  externa e interna, onde     ajoelhado, você faz uma viagem interior) e após  isso, os aposentos do rico palácio de onde os Dodges governaram essa cidade-estado por mais de 1000 anos, isso também não tem preço
(principalmente porque, apesar das imensas filas, é de graça...). Mas o imperdível mesmo é subir ao topo do campanário de onde se avista toda a cidade e as ilhas próximas, (inclusive Murano, a dos cristais típicos e onde as casas de pescadores são todas multicoloridas). Ao descer do Campanille não deixe de se fotografar na Ponte dos suspiros, por onde vários condenados famosos (Marques de Sade, Don Juan e outros) atravessaram para serem julgados e presos no Forum que fica do outro lado.

A tarde e mesmo à noite, atravessar a Ponte do Rialto e percorrer a pé as calçadas, com suas boutiques de luxo e suas belas vitrines de grandes marcas incrustadas em casarões vetustos charmosos, seus restaurantes típicos e chiques, ou simplesmente saborear um bom  vinho com pizza crocante no barzinho Da Luca i Fred ou na Taverna Del Campiello. Em Rialto onde há um self-service de frutos do mar, topei com um garçom mal educado e desaforado, típico italiano estressado, tivemos um pequeno entrevero (mas isso é outra estória).
À noite, um “must” seria um concerto de Vivaldi na igreja de Santa Maria della Salute, com quadros de Ticiano e Tintoretto nas paredes, aí sim, você nem precisaria mais desejar ir para o céu, você estaria no próprio!
 
O bom em Veneza é que o deslocamento não precisa ser necessariamente de gôndolas (muito caras) – de Vaporetto (ônibus aquático) ou a pé você aproveita mais e descobre recantos inesquecíveis e ótimos para fotos.
Não esqueça, se for com um grupo, pegue um taxi-barco no  próprio aeroporto, depois de passar pelo Gran Canal de onde se tem uma visão  panorâmica da cidade, ele deixa na calçada do hotel. No retorno, (não passe menos de 3 dias em Veneza porque essa é uma cidade postal mas tem muita coisa para ser vivida), poderá pegar um trem em Santa Lucía, mas se vai a alguma outra cidade da Europa pegue um trem na estação de Santa Croce, as cabines com beliches são baratas e confortáveis, o trem é rápido e pontual como um metrô, e leva a várias outras cidades, inclusive Paris. (Aí também já é outra estória...)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Etmologia fantástica

Em Sânscrito, uma língua morta, mãe de quase todas as línguas, falada pela civilização Indo-européia, a “civilização solar”, entre 6000 a 9000 A.C., Pai era “Pitar”.

Pitar gerou:
pateras/ πατέρας - em grego
As correspondências de “Pitar” em outras línguas de acordo com o site:




English:  father 
Italian:  padre ; babbo ; papà   
 Spanish:  padre   
 French:  père / papa   
 German:  Vater ; Pater   
Afrikaans:  vader    
 Albanian:  baba ; átë    
 Asturian:  pá    
Basco: aita    
 Bergamasco:  pàder    
 Bolognese:  pèder   
Calabrese:  patre ; patri
Catalan:  pare    
Danish:  fader   
 Dutch:  vader   
 Esperanto:  patro    
Faeroese:  faðir    
Flemish:  vader   
 Galician:  pai    
 Greek  páteras   
Icelandic:  faðir    
 Indonesian: pak    
Latin:  pater     
 Ligurian:  paire    
Lingala  tata    
Mantuan:  papa        
Mudnés:  pèder    
 Napolitan:  pate    
 Occitan:  paire    
 Parmigiano: päder    
 Piemontese: pare    
 Polish: tata   
 Portuguese: pai    
Reggiano: peder    
 Romagnolo:  pèder    
 Romanian:  tata     
Sicilian:  patri    
Swedish:  pappa   
 Swiss German:  Vatter    
Triestino:  pare    
Valencian:  pare    
 Venetian:  pare  
Wallon:  pére    

Ufa! Como é possível uma palavra de mais de 10000 anos se manter quase intata para o mesmo significado em várias línguas?

E mais: na civilização solar indo-européia (sânscrito) essa palavra se uniu a outras conservando o significante!
O maior dos deuses dessa civilização era “Dyans Piter” ou o “pai brilhante” ou o “pai do brilho” ou quem sabe, até o próprio Ra, o rei sol dos egípcios, milênios depois. “Dyans” significava brilho, luz. Dyans Pitar, pai de luz.

Dyans Pitar em grego gerou Jupiter, (veja a analogia Ju=Dyans), o maior dos deuses, que os latinos abreviaram para “Zeus” (“Dyans” = “Luz”) e o cristianismo falou "Theo = Deus".

Como pode um léxico se deturpar tão pouco ao longo de milhares de anos? Por seu  significante sagrado? Por seu tabu?

Ainda inferindo uma etimologia fantástica poderíamos deduzir a palavra “Dia” = Dyans = Dies = Deus = brilho, luz.

Constatação: depois que os humanos aprenderam a falar os vocábulos básicos mudaram muito pouco; apenas os sons se alteraram viajando por terras distantes!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A praga do século

O telefone celular é a praga do século!
Pela quantidade e pela falta de etiqueta com que as pessoas o usam.
O baixo custo e o barateamento galopante dos aparelhos fizeram com que uma vasta camada de gente sem o menor polimento social passasse a usá-lo, a ponto de orelhões entrarem em desuso e cartões de telefone passarem a ser peças de colecionador.
Gente que ainda não aprendeu a comer de talher usa impunemente o celular!

Hoje mesmo me aproximei de uma prateleira de supermercado para olhar uma mercadoria quando levei o maior susto: uma jovem que passava pelo corredor atrás de mim gritou em alto e mau tom palavras desaforadas, provavelmente ao namorado, ou quiçá, infeliz marido, a ponto de todos se virarem como a procurar de que fonte vinham os impropérios.
Dirigi-me à prateleira das frutas mas não conseguir nem escolher uma banana. Bem em frente, defronte às laranjas, uma desvairada duelava verbalmente pelo telefone aos gritos com a mãe. De longe, julgar-se-ia uma louca a chamar as surdas laranjas a gritos de “mamãe, me escute...”
No cinema, no melhor da cena, tem sempre um rebelde que, apesar das advertências iniciais explicitadas na tela antes do início do filme, não o desliga e atende-o nem que seja prá combinar qualquer programa depois da sessão.

No trânsito e nas estradas, envolvem-se em acidentes atendendo celulares.
No trabalho, todos os colegas já sabem dos pormenores e dos podres da vida de todos de tanto se ouvir confidências em celulares.
O chato mesmo é estar parado em alguma fila e ouvir  um chato desfiando pelo aparelho um papo não menos chato, discursivo e interminável, que se arrasta mais lento que a própria fila.
Com introdução de planos pelas operadoras, democratizou tanto que apareceu um fenômeno quase impossível há algum tempo atrás: o trote pelo celular. Faça seu plano pela operadora X, pagando apenas míseros reais e fala de graça para qualquer telefone fixo... e aí a vagabundagem que além de se drogar não tem o que fazer, liga prá você pelo simples prazer de lhe tirar, de lhe trotear! Pelo tamanho cada vez menor e a facilidade de se introduzir em presídios, até o vice-presidente da República do Brasil, o honrado e sereno Sr. José Alencar, foi vítima recente de sequestro virtual de presidiários portadores de celulares, apesar de proclamados “esforços” de autoridades para acabar com esse crime que aumenta a cada dia.

Celulares deveriam vir acompanhados de um manual de etiqueta para seu uso. Deveriam ser vendidos junto com um contrato com algumas regras sociais de utilização. E uma advertência do tipo: “o descumprimento dessa etiqueta básica pode acarretar a apreensão do aparelho por órgãos competentes”.
Acho a televisão muito educativa.
Todas as vezes que alguém liga o aparelho,
vou para outra sala e leio um livro.
Groucho Marx

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tele-aversão



Para sentir a mediocridade da TV aberta (e até de alguns canais da fechada) em toda sua plenitude é preciso estar acamado por um motivo qualquer, uma gripe, por exemplo, e sem mais opções no PC, ligá-la a qualquer hora!
À noite ou aos sábados e domingos, nem pensar. 

Caju chupado, bagaço, guião, copião, dejá vu!
As novelas, com raras exceções, não passam de nhem-nhem-nhem e papo furado de mocinhas para moiçolas ou senhoras desavisadas, mal acostumadas ou viciadas em quem está de caso com quem, quem bota chifre em quem...
Sem falar em intervalos longos para anúncios repetitivos e gritantes, tentando lhe vender alguma coisa estuprando seus ouvidos, como se tentassem penetrar à força no seu cérebro pelos orifícios auriculares!

Você liga e depois de alguns minutos a disparar o controle de canais acima e abaixo, vem a sensação de impotência. A seguir, a de abandono, helpless. Depois a chateação que vira impaciência até a impaciência atingir o limiar do ódio, no ponto próximo do prejuízo de atirar um cinzeiro, um jarro ou até uma cadeira na pantalha luminosa e estúpida, brilhantemente estúpida.
Alguns programas locais exploram sadisticamente a violência urbana. Sua TV se tinge de vermelho e um lixo social derrama-se sobre sua casa!
Se se acamar, melhor não ligá-la. Leia algo, nem que seja o jornal de ontem...
Ou como disse Groucho Max: "Acho que a televisão é muito educativa! Todas as  vezes que alguém liga o aparelho vou para outra sala e leio um livro..."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A tarde desce com o sol e só, da minha varanda, observo os carros, aves de arribação metálicas, em revoada não se sabe para onde, congestionando o trânsito e liberando o pó cinza com que a cidade se maquia.
Ligo o som e ouço o “Prelude d´après-midi d´un Faune”, de Debussy, o que fez música pra incensar, relaxar e colorir as tardes e quiçá, as noites dos amantes.
Ouço motoristas que buzinam estressados e percebo que lhes falta um Debussy no player do carro.
Claude Debussy, francês de formação musical de conservatório,  viveu apenas 56 anos, de 1862 a 1918 e era essencialmente um impressionista, mesmo não sendo pintor deve ter tido forte influência dos movimentos pictóricos impressionistas da época.

Mesmo impressionista sua música não é descritiva, ela apenas dá cor ao som à harmonia, aos ouvidos. Pode até sugerir clarões azulados de raios de luar em “Clair de Lune”, mas como todo bom impressionista abstrato, é isso que ele faz: apenas sugere paisagens-tempo-espaços em forma de som. Podemos até sentir o calor e o vapor de uma tarde modorrenta, como, por exemplo, quando se ouve “As Estampas”! Ou os tons verdes de “Homenagens aos arbustos” ou ainda as cores  brilhantes e cristalinas de “Reflexos sobre as águas”.

Diz-se que frequentava os saraus de Mallarmé, aonde acorria a nata intelectual e artística da época, mas parece que sua maior influência foi mesmo da música oriental da qual se impregnou bastante durante as apresentações orquestrais na  grande exposição internacional de Paris em 1889. Antes disso, quando tinha apenas 27 anos, recebeu o Grande Prêmio Romano de composição e viajou para a Rússia, quando teve contato com Mussorgsky e sua música (“Quadros de uma exposição”, gravado até por bandas de rock and roll), principalmente a “Abertura da Páscoa russa” com seus acordes dissonantes.

Ouvindo o “Prelúdio na tarde um Fauno” sinto claramente que a música clássica moderna começou aí. Percebe-se porém que seu impressionismo pleno só aparece quando a orquestra participa com volume maior em segundo plano ao piano, mas o piano é sempre o astro principal, o carro-chefe, o band–leader. Sem ele não haveria Debussy nem esse poder relaxante de sua música, serena apesar de sua conturbada vida pessoal e conjugal e do câncer consuntivo dos seus últimos meses de vida. Disse o intelectual francês, Jean Cocteau sua música era para ser ouvida com a cabeça reclinada sobre as mãos...

Prelude, Clair de Lune, Arabesque, Reflexes sur l´eau são obras que sugerem os títulos e lhe transportam à sugestão, sem as cadências musicais rítmicas e repetitivas (se perdeu o caminho, pegue outro) da herança barroca de Bach, clássica de Mozart ou romântica de  Beethoven. Debussy é único em lhe conduzir a estradas onde visão e audição se completam.
Se for à farmácia comprar um benzodiazepínico, não vá: ao invés, compre um CD/DVD/Bluray/MP3, MP4, o que quer que seja, e relaxe com o barato da música de Debussy.
Se está em casa sozinho ou até bem acompanhado, ligue-se, conecte-se e se transporte a um mundo musical de paisagens serenas e pessoas agradáveis como  “La fille aux cheveaux de lin” (“A moça do cabelo de algodão”).
Se não quer pressa em suas noites quentes, acenda o abajur e o som dos “Nocturnes” com suas cores lilás. 
Se no trânsito congestionado, descongestione-se com os “Arabescos” (o motorista da frente agradece). Não se importe com os pequenos espaços de silêncio – o silêncio também faz contraponto com todas as boas músicas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

E haja feriado!

Mais um feriado nacional, quase feriadão!
Trabalhadores, funcionários e assalariados agradecem e se bendizem por mais um dolce fare niente no país dos feriados. Classes produtoras, bancos, indústria, comércio, profissionais liberais e cidadões esclarecidos, não, porque sabem dos bilhões de prejuízos implícitos.
O governo, deixando de arrecadar outros tantos milhões, fecha os olhos; sabe que amanhã arrecadará muito mais. Quatro dias de repouso, muito álcool e balada na recente Santa Semana não são suficientes! Afinal ninguém é de ferro, dizem.

Analisemos friamente esses feriados. O da semana dita “santa”, por exemplo – o país tem atualmente uma população de não católicos já beirando os 50% que não participa das liturgias católicas. Dos católicos, ainda maioria por pura estatística declarada em censo do IBGE e não por devoção, mais da metade também não participa dessa liturgia, prefere ao invés de procissões e cânticos, as liturgias pagãs: culto a Baco e às deusas do axé. Uma minoria insignificante, que por sinal nem trabalha, composta de idosos e crianças, comparece ao chamado de suas paróquias, principalmente as coloniais paróquias mineiras. Prá que o feriado então? E porque nem em Roma é feriado?
Difícil para os políticos cutucarem os calos da Católica Apostólica Romana. Quem se atreveria? E porque se eles próprios aproveitam os santos dias para visitar suas santas bases políticas ou o refresco dos mares do norte e do  sul? Sem contar os que adoram os holofotes da mídia e aparecem na TV levando nas costas o andor de Jesus crucificado, como se ele próprio fosse um penitente.

Mal a gente se recupera de uma santa semana e vem logo a seguir outro feriado nacional: 21 de Abril! Dia da independência? Não, claro, dia do mártir da independência. Quem mesmo? Um dentista, (ou seria alferes?), bode expiatório de um movimento de revolta contra a “derrama” , imposto que sugava os ricos produtores (exploradores de minas e latifundiários) da colonial Minas Gerais, sediados em Vila Rica ( o nome já dizia tudo!).
Um movimento para libertar a nação do jugo imperial português? Não, Apenas um movimento de ricos senhores protestando contra a dita derrama, auto denominado “Inconfidência Mineira”, ou seja, contra impostos escorchantes tais quais esses que eu e você pagamos atualmente, tão ou mais elevados que os da antiga “derrama”...Que tal se aparecesse uma nova Inconfidência, uma “inconfidência nacional”, com uns 20 a 40 milhões de assinaturas de protesto contra essa derrama oficial gerenciada fria e rigidamente por uma entidade quase anônima denominada  receita.fazenda.org.br?

O dito herói da dita Inconfidência mineira morreu para acabar com a derrama a nível nacional? Não, simplesmente contra altos impostos pela Corôa sobre ouro, diamante, outros minérios e compra de escravos nas Minas Gerais.
Porque o feriado nacional? A “derrama” nacional dos impostos foi abolida”? Não, claro. Essa Inconfidência não passava de um movimento regional, quase local, onde só os grandes burgueses, mineiros e fazendeiros entravam. Era um movimento nacional? Não. Era um movimento popular? Não. Porque então esse feriado? Comemoramos o que afinal? Até em Minas, atualmente, se comemora mais a vida e a morte de Tancredo Neves, o político de profissão e dinastia, do que propriamente a tal inconfidência.
Porque o feriado, repito a questão. Apenas para mais uma folguinha, mais uma bebedeira, mais um dia de sol, de faxina ou de praia, de muita cachaça e cerveja, abuso de drogas e aumento da criminalidade e da pletora de vítimas da violência nos corredores dos hospitais de urgência. Querem festejar seus pseudomártires? Que festejem, mas em nível regional ou mesmo estadual. Como no Ceará, por exemplo: o dia de S.José é um feriado apenas estadual.

Prestou atenção ao que escrevi acima? Pseudomártires... Eu até que acreditava na boa intenção dessa cambada revoltada, mas depois que folheei o livro do historiador André Figueiredo Rodrigues, “A Fortuna dos Inconfidentes”,  uma pesquisa histórica exaustiva, (baseada não em ficção mas em documentos), alguns  parágrafos já foram suficientes para que minha crença histórica nessa estória caísse por terra! Vários dos mitos, além de terem pés de barro, deveriam ter nas mãos algemas: eram corruptos e alguns, inclusive, faziam a festa com o dinheiro público. O que eles queriam mesmo era burlar impostos imperiais em benefício próprio! 

Um tal Alvarenga Peixoto, que se dizia poeta, comprou um cargo de ouvidor e embolsou uma quantia enorme de dinheiro que ele dizia se destinava à luta contra espanhóis no Rio Grande do Sul! Bárbara Heliodora, sua mulher, é tida como heroína, pois após o “sacrifício” dos inconfidentes, ficou pobre e louca, vagando pelas ruas de Vila Rica... pura poesia! A tal Bárbara, segundo Rodrigues, permaneceu viva e muito viva, tinha muito dinheiro escondido no mocó, comprou fazendas e deixou uma enorme e abastada descendência.
Afinal, prá que o tal feriado de 21de Abril então? Só o macaco explica...




sexta-feira, 16 de abril de 2010

A vida de David Gale - você morreria por uma idéia?

É possível alguém morrer por um ideal? Bem, mártires sempre existiram, desde a mais remota antiguidade. Acredito, porém, que o mártir quase nunca espera o desfecho final. O mártir é o herói que não deu certo... E não confunda mártires com fanáticos. Como, por exemplo, homens-bomba terroristas que dão a vida por uma causa, na esperança de que ao morrer, sua alma vai direto para os braços de um Alah partidário e defensor do mundo muçulmano. Esses não são idealistas, nem estão dando sua vida por uma causa ou para ajudar a humanidade, estão pensando egoisticamente em si mesmos, em passar desta para melhor, de uma situação material que não talvez não seja lá grande coisa, para uma situação espiritual onde realmente acredita que usufruirá das benesses de um Alah todo poderoso. Do mesmo modo como os aviadores japoneses Kamikases da 2ª guerra mundial o faziam, pilotando seus aviões contra os aviões americanos. 

É mesmo provável que alguém da classe média, vivendo confortavelmente no mundo moderno, de educação acadêmica, possa sacrificar a própria vida por uma tese, uma tese sociopolítica dentro de uma organização que defende a abolição da pena de morte, morrendo por uma idéia?

Bem, se alguém que faz parte da organização e vive na linha de pobreza, tem gostos refinados e quer sair dessa para uma situação melhor, e pode colaborar com os mártires, sim.

Se alguém tem uma doença degenerativa grave, uma leucemia, por exemplo, com poucas chances de sobrevivência, e quer fazer de sua vida um motivo para corroborar sua tese, sim.

Se alguém era um professor universitário, expulso por falsa acusação de estupro de uma estudante, e, por isso mesmo separado da mulher e impedido de ver o filho que ama, envolvido no dito grupo anti pena de morte e num crescendo alcoolismo que nem o AA foi capaz de curar... Talvez...

Para saber o resultado, e principalmente se a tese que citei inicialmente pode acontecer, aí você vai ter de assistir a esse filme com Kevin Spacey e Kate Winslet - um thriller de ação, suspense, conteúdo e emoção, num filme de 2003: “A Vida de David Gale” – (quando o crime é evidente e a verdade, não) do escritor, ator britânico e diretor Alan Parker (o mesmo de “Evita”, “Asas da liberdade” e “Pink Floyd, the Wall”).

sábado, 10 de abril de 2010

Revendo "Terra em Transe"

Revejo “Terra em Transe”, o antológico filme brasileiro de 1967, direção e roteiro de Glauber Rocha.
Embora Glauber se achasse, e se levasse demais a sério com suas metáforas corajosas para a época, falta-lhe a verve e o biscoito fino que alimenta os cinéfilos, talvez devido à própria época de chumbo em que o filme foi feito e talvez porque o próprio roteiro bate de frente. Eis o grande mérito!

Et pour cause, “Terra em Transe” é pesado, diria quase depressivo! Uma linguagem rápida jogada na cara do freguês sem muita transpiração, como convinha à época, “comme Il faut”...

Dramático mas ao mesmo tempo excessivamente teatral. Caberia melhor num palco. Mas Glauber fez da telona seu palco, seu palco de protesto. Planos em conjunto, mas muitos primeiro planos, closes para diálogos mais próximos do auditório.

Percebo que  essa “Terra...” é uma mistura de  Macbeth tupiniquim com um Falstaff terceiro-mundista!  Um recital anímico de poesia política. Percebo como é bom ver um filme antológico anos depois que a poeira de estrelas senta.

Assusto-me com diálogos proféticos e geniais que podem abranger mais uns cem anos de América Lat(r)ina. A impostação das falas pode soar falso mas Deus sabe como foram verdadeiras para a história.
“Terra em Transe” é um flash verbal da ascensão e queda de um Presidente de República “bananeira” – poderia ter sido Getúlio, Jânio, Jango ou mais cem outros desse continente tão marcado por sua cultura colonial, onde não faltam pelegos, bajuladores, arrivistas, aproveitadores, maquiáveis e richelieus, na sempre fictícia república de Eldorado, onde Porfírio Diaz e Julio Fuentes continuam por aí, mais vivos que nunca.

Como o rever filmes pode ser instrutivo e compensador para o ego! Como o distanciamento temporal estimula nossa visão e senso crítico!
Posso até extrapolar, a partir de uma ótica pessoal, que “Terra em Transe” não é um filme, é um documentário artístico-histórico-teatral, como os antigos teatros Kabuki  chineses. Posso até, estando mais longe do mito, dizer que Glauber não foi tão genial assim como cineasta, mas sim como profeta de seu tempo e como um artista corajoso, que apesar do clima que rolava, teve peito para dizer o que queria em cinematográficos monólogos.

E como é gratificante ver monstros sagrados como Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Gracindo, Hugo Carvana, Jofre Soares e outros, todos juntos, dando shows de interpretação!

No “The end”, resta só lamentar a partida tão prematura de Glauber em hospitais d´além-mar.

Pensamento-Testamento de Glauber em "Terra...":
* O gênio é eclético - constroi seu mundo a partir de todos os mundos conhecidos.
* A arte é um traço de união entre duas reticências...
* Uma obra quando transcende o tempo, mesmo com elementos de passado e presente, aparenta incompreensão.
* Quando as verdades não vêm rotuladas com ismos tornam-se proféticas.
* Cinema não é teatro - teatro é diálogo.
* Cinema não é literatura - literatura é praxe.
* Cinema não é TV - TV é o casuísmo passageiro.
* Cinema é apenas cinema.


31 de março - in (triste) memoriam

Águas distantes  de Março



Bocas de forno,
forno.
Tirando tudo,
tudo.
Levando bolos,
bolo.
Jacarandás – já
(nas costas).
Quando mandarem,
vão.

E se não for,
apanham,
apanham,
apanham.

Remanim, remanim...
Assim vão os meninos
em suas brincadeiras
ditas duras.
Eternas bocas de forno
quando adultos
perdidos num março
longínquo e morno
cujas águas jamais passarão
em suas lembranças.

Winston

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Parêntese para Martha Medeiros


"A gente procura o sentido da vida em tudo: nos livros, na religião, nos índices da Nasdaq! A gente quer entender. A gente quer um porque.
Pedro Almodóvar vem e diz: não tem porque, ou melhor, não tem só um... A vida é uma salada de emoções, piadas, lágrimas, sexo, pileques, encontros em elevadores e desencontros.
A vida não é tão arrumadinha como a gente gostaria: é um caleidoscópio.
Colorida. Rápida. Absurda. Engraçada. Trágica. Indecente.
A vida é latina."


(Martha medeiros, em: "Non-Stop" - Crônicas do cotidiano)
Ed. L&PM Pocket.

Luar sobre Fortaleza

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Praia de Iracema

Lady Godiva

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Info-Arte

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Verso e reverso

Fotopoema

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Nascimento

Fotopoema2

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Picasso - Guernica

O Sudoku de Ant.Gaudi no portal da Sagrada Família em Barcelona

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Qualquer soma nas colunas, nas linhas ou em X dá 33: a idade de Cristo na cruz!

Pensamento1

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Fanatismo

Dies irae dies ille

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These foolish things

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Tem dias...

Tem dias...
Tem dias!

Wicked game (Kris Izaac)

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Babalu

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Fotopoema

Festival de Natal - Lago Negro - Gramado-RS

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Nativitaten - um espetáculo que se renova e merece ser visto e revisto!