domingo, 2 de dezembro de 2012


É preciso saber viver, estar muito vivo e com a mente e as orelhas abertas para ouvir o sax alto derretedor de tímpanos de Dexter Gordon , um músico negro americano fugido dos preconceitos e da falta de oportunidades  em sua terra natal e acolhido em Paris onde fixou morada durante 15 anos, aplaudido em toda a Europa do pós guerra, onde fez inúmeras tounées.

Na França elaborou o LP “Great Encounters”  onde toca “Cake” com Johnny Griffin , mas o fino mesmo é a raridade gravada no Montmartre Jazzbus Festival em  1965 que ainda se pode pescar no YouTube!.

Gordon só voltou aos Estados Unidos em 1976, apresentando-se com sucesso no Village Vanguard no bairro de Greenwich Village, em Nova York. Quem assistir ao filme “Round Midnight”, sobre a vida atormentada de Bud Powell, outro músico de Jazz, vai vê-lo tocando e fazendo o papel de um saxofonista, papel no qual recebeu uma indicação ao Oscar.

Jante. Acalme-se. Coloque ao lado do som um cálice de licor de tangerina, de preferência made in Ceará e enquanto o licor desce macio, amacie o sentido da audição deixando a mente fluir nas divagações sonoras  de Kenny Drew e do solo lancinante de Dexter.

E basta, a noite do fim de semana está ganha. O resto é figuração e nada mais é fantástico! Voce  já está preparado para dormir. Sua mente jaz no jazz, enquanto o mundo lá fora também jaz e o cérebro adormece com Dexter (que Deus o tenha no paraíso) solando os últimos acordes do clássico, romântico e antológico “Misty” , do Montmartre Jazzbus, à sombra da torre Eiffel.

Ouça:

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Anti-tempo



“Oh tempora, oh mores”, como já disse um sábio/filósofo das antigas e em latim.
Que tempos são esses, que costumes são esses?

Como conviver com um tempo anti-tempo de assassinos abundantes, impunes e imune às leis?
Como conviver com um tempo tão anti-tempo onde massas de zumbis drogados se amontoam em portais de templos religiosos e prédios públicos?

Como conviver e sobreviver em  um tempo e com um tempo de tantos genocidas, parricidas, matricidas, uxoricidas e infanticidas?

Como conviver com a náusea de um tempo onde a prática da pedofilia vem de onde menos se espera?

Como conviver cara a cara com um tempo de abortados, abortandos e aborteiros?

Como conviver com um tempo em que a justiça humana é obscura, cega, surda e muda, a justiça divina também tarda e os burros andam de farda ou jaleco e alguns de toga?

Como conviver com e em um tempo tão anti-tempo transformado em guerra diária e perene de sobrevivência em um reino de Thanatos?

Reinventando-se, reinventando a sociedade? Acordando da apatia geral? Convocando-nos em rede social? Está o ser humano em processo involutivo? O mais apto em um conceito darwiniano atualizado é aquele que consegue portar armas e se impor violentando a sociedade ou quem consegue barbarizar impunemente e protegido por leis caducas?!

Não precisa explicar nem responder;  só queria entender  e  poder exortar a quem de direito  um retorno ou o avanço a algum tempo onde o homem deixa de ser o lobo do homem, as crianças poderiam brincar tranquilas em escolas e praças e as famílias pudessem ainda colocar o papo em dia com os vizinhos ou as cadeiras nas calçadas de quem mora em casas.
Onde a paranoia social fosse apanágio apenas de psicopatas.

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração,
tempo em que não se diz mais: meu amor
porque o amor resultou inútil."
(C.Drummond de Andrade)



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sentimento em 3D


Embaixo,
Uma saudade morna
(de mim mesmo)
Girando em louco turbilhão
Movendo moinhos mentais
Moendo imagens e fatos
Colagem primitiva
Charada viva.

Ao fundo
Tocando fundo
O Concerto de Warsóvia
Colcheias e semicolcheias
Suspensas,
Despencam pesadas
sobre cabeças não coroadas.

No alto
A passos lentos
A lua, alva, gorda e nua
Grávida de tantos sonhos
The high and the might
Alvo perfeito de sonho terrorista
Por desespero de causa saudosista.

winston

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Correntezas

















A vida rola sobre eixos
de seixos soltos
e incertos
em leitos
de rio-tempo.

Molhada de vento
e dengo de musgos
e música
Um tango ao som
das correntezas.

Um toc-tac-toc
de incertezas
Um foron-fonfon
de belezas
à la Piazzola.

E os seixos a rolar
sob os eixos das vidas
rios lentos e curtos
no leito do tempo
r(e)al.

winston

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Agnosía Teológica de Einstein


"Não posso conceber um Deus “pessoal” que pode influenciar diretamente as ações de indivíduos... Minha religiosidade consiste em uma admiração humilde de um ente infinitamente superior que se revela no pouco que compreendemos do mundo conhecido.

Uma convicção profundamente emocional da presença de uma força superiora que se revela no universo incompreensível; essa é minha ideia de Deus.

Acredito no Deus de Spinoza (perspectiva panteísta: Deus está em tudo) , que se revela nas leis harmoniosas do mundo, mas não em um Deus que se preocupa com destinos e ações da humanidade.

Animais, vegetais ou poeira cósmica - todos dançamos ao som de uma música misteriosa sob a batuta de um maestro invisível!

Quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado nesse ou naquele fenômeno em particular, no espectro específico desse ou daquele elemento. Quero saber Sua maneira de criar. O resto são detalhes...

Hoje eu olho as tradições doutrinárias somente de uma perspectiva histórica e psicológica; nâo têm nenhum outro significado para mim."

(Extraido do livro “The Ultimate quotable Einstein”; Ed. Princeton University Press; 1ª. Ed.  2011)- (empréstimo do amigo Dr. Pedro Brito).

A propósito, será mesmo verdade que o físico brasileiro César Lattes chamou Einstein de "fraude" em uma entrevista a uma revista?
Acesse:
http://faroldobuscador.blogspot.com.br/2012/04/albert-einstein-e-uma-fraude.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mais um plágio em música clássica?


Ou como afirmam os experts: apenas mais uma coincidência musical entre uma  peça de Bach e uma de Giuseppe Tartini?

 400 anos usamos  uma escala musical de somente 12 sons:  sete tons, do dó ao si, e cinco semitons, baseados em um hino medieval  em latim em homenagem a São João, onde as primeiras sílabas continham os tons:

UT queant laxis, REsonare fibris, MIra gestorum, FAmuli tuorum, SOLve pollute, LAbii reatum, Sancte Ioannes, onde o Ut posteriormente virou Dó.
 
Ou seja, 12 tipos de tijolos para construir grandes castelos musicais!
Doze micro elementos sonoros para compor um universo de música!
Não há como não acontecer “coincidências”, até (e principalmente) nas esferas da música clássica, onde as composições são verdadeiros oceanos sonoros.

Todo esse babado inicial é a propósito de mais uma “coincidência musical” entre autores clássicos. Em matéria de música, sou eclético. Tenho preferências e as boas peças musicais de diversos gêneros, clássicas, pops, jazz, bossa, sambas, forrós, lambadas, marchinhas, rocks, não interessa qual tipo, compositor ou cantor, a boa música fica, reverbera nos ouvidos e gruda no meu cérebro por um bom tempo, quiçá, por toda a vida.

Acabei de ouvir pelo youtube os últimos acordes de “A trilha do Diabo”, de Giuseppe Tartini, um concerto para violino e pianola e imediatamente me reportei aos acordes da “Chacona” de João Sebastião Bach!

Inspiração? Cópia? Coincidência? Plágio?

Tartini, nascido em 1692 e falecido em 1770, tinha 42 anos quando João Sebastião morreu, também compôs “Variações sobre um tema de Corelli”.

Em relação a Corelli, ele deu os créditos, em relação a Bach, ocultou.

Dizem os historiadores de música que nessa composição Tartini sonhou com um pacto (à la Fausto) entre ele e Mephisto, onde após ter entregue seu violino ao chifrudo, o dito cujo tocou para ele toda uma sequência de “trillos”, entregando-lhe, já pronta, sua peça mais famosa, a Sonata para violino e pianola mais conhecida como a trilha do diabo ( o mais correto seria: “Os trillos do diabo”).
 
Esse Giuseppe era na vida real, chegado a uma malandragem, era flor que não se cheira. De acordo com os colaboradores da Wikipedia, seduziu a sobrinha de um Cardeal de Roma e foi condenado à prisão. Para fugir, se refugiou num mosteiro. Foi lá que teve o sonho com belzebu.

Acesse:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Tartini

 Poderíamos tergiversar e dizer que o último movimento de “A trilha do Diabo” é também uma chacona, uma vez que uma chacona, à época, era como música de pagodeiro, todas se parecem e têm a mesma batida, ou no caso, o mesmo andamento. As chaconas não passam de progressões harmônicas em espiral cromática da escala musical que teve seu auge no período barroco. Uma chacona ao mesmo era uma peça que se podia usar para as danças de salão medievais. Por seu andamento em 1-2-3 são precursoras das valsas.
 

Ouça a “Trilha” em:
http://www.youtube.com/watch?v=jmMfVKD517Q

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Amizades e reencontros




Seis anos de convivência intensa, forçada pela circunstância de bancos universitários.
Seis anos de amizades, conivências, esperas, brincadeiras, bebedeiras, confidências, alegrias e tristezas compartilhadas.
Seis anos de estudos, papos acadêmicos,  provas, passeios,  vinhos, sangrias, praias, suor, cervejas e algumas lágrimas.
Seis anos de violões, luaus, luares , luaradas, serenatas, e beira-mares.
Trocas de idéias e de esperanças, partilhas e confianças.
Seis anos de amizades.

Dez ou mais anos de afastamento,  separações circunstanciais, forçadas pelo trabalho e pela cidade grande.
Apenas dez anos bastaram para afastar do real, sentimentos, alegrias, dores, esperanças e taças não compartilhadas e lançá-los no baú virtual da memória. Dez anos de pensamentos opostos, afazeres opostos e caminhos opostos.

Seis minutos. Só seis minutos de reencontro. O choque, o nada, o vazio, o titubear das palavras, o estourar da tênue bolha em que se transformam as amizades não cultivadas.
Apenas a frieza do aperto de mão, os olhares mortos e aburguesados e o punhal-palavra-assassina da velha música cantada por Fagner:
- “Olá, como vai?
- Eu vou indo e você,  tudo bem?”

Não, Milton, infelizmente amigo é coisa que a distância evanesce e não deixa guardar!

(Link para "Canção da América":)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

13 de Junho


Dia consagrado pelos católicos (e principalmente católicas) a Santo Antônio de Pádua, o santo padroeiro dos casamenteiros e também dos estéreis, das grávidas, dos idosos, dos pobres, dos cavalos, dos jumentos, dos burros (sentido latu e strictu), além do santo das causas perdidas. Como se vê, Antônio de Pádua ou de Lisboa) é bastante atribulado nas esferas celestiais!

E, “pour cause”, o santo parece andar bastante aporrinhado atualmente com tantos pedidos, com muito gasto com velas, com muita salivação em seus ícones e sobretudo com o fato de que milhares de solteironas estão colocando suas imagens de ponta-cabeça, penduradas pelos pés. Em algumas a batina de frade se desfralda e dá até para ver suas cuecas medievais. Outras chegam ao ponto da sacanagem de sacar fora o Menino Jesus de seus braços e só devolver quando arranjam um par!

Parece estar tão chateado que anda despachando muitos pedidos de qualquer jeito, colocando bombeiros pobres nos seios de peruas ricas, soldados tarados no leito de antigas estrelas de TV, piriguetes jovens apaixonadas por senhores provectos (embora aba(e)stados) e vice-versa. Vagabundos e bandidos realizando o sonho de amor de moiçolas ainda estudantes, com direito a barrigada e posterior abandono! Na Itália, onde é recorrido, realizou o sonho de uma velhinha deserdada de oitenta e tantos anos casando-a com um bonitão de vinte e poucos.

Nos cartórios e pias batismais da Europa, França e Bahia é cada vez maior o número de registros para Antônio, nem que seja combinado – Luis Antônio, Antônio Luis, Antônio Mário, Mário Antônio, José Antônio ou Antônio José.
Quem mais anda chateando o Santo é o pessoal do Cariri, no Sul do Ceará.  Todo ano se repete o fato: dezenas de machos agarrados ao pau de S.Antônio e a mulherada correndo atrás e ao lado, querendo tocá-lo.

Ao que parece há uma vingança antonina. Observe-se a mídia diária: casamentos de graças alcançadas que se desfazem no altar, que só duram meses ou até dias; namoros relâmpagos que só persistem em motéis; bebês mal saídos da maternidade cujos papais desaparecem!

Cuidado, mulherio. Deixem o pobre do Santo em paz. Melhor não cutucá-lo com vara curta. Apesar de padroeiro dos casamenteiros e dos burros (coincidência?), S.Antônio não é burro e, das esferas celestiais onde está, é capaz de ver que o planeta já tem mais de 7 bilhões de almas e não comporta mais nem um Antônio. Cuidado com os pedidos, apesar de santo, sua (dele) vingança poderá ser maligna!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Junho é que é o mês!


As noivas (nem os padres!) não sabem, mas para o calendário Juliano, implantado no império romano por Júlio César em 46 A.C., Junho é que era o mês dos casamentos, não Maio!

Junho era o mês dedicado a Juno, a esposa do todo poderoso Júpiter, Zeus dos gregos, o deus dos deuses.

E se quem manda no lar ainda é a rainha, “in illo tempore”, quem mandava mesmo era Juno, a deusa-mor, entidade poderosa no Panteão e considerada a verdadeira guardiã dos casamentos e protetora de todas as mulheres.

Veja bem, mulherio casadouro: Junho é que é o mês!

Mesmo com as modificações no calendário, introduzidas 1.600 anos depois pelo papa Gregório XIII, Junho continuou sendo dedicado a Juno e às casamenteiras, não se sabendo por que cargas d’água ou conveniências, os noivos, alguns párocos ou a mídia transferiram os enlaces e o patrocínio celestial para Maio, cuja patrocinadora era outra: a deusa Maia, uma das deusas das flores da primavera, mãe de Mercúrio, o protetor do comércio, das artes, da Medicina e das ciências.
(Será que comércio tem algo a ver com casamento?)

Mas não tem mês melhor que Julho: calor no hemisfério norte, frio gostoso no hemisfério Sul, férias(prá quem trabalha, of course, viagens, relax, diversão! Não foi à toa que o Senado Romano, para babar o poderoso Júlio César, (olha que costume antigo!), baixou uma lei trocando o nome do mês de Quinctillius” (olha que nome horroroso!) para Julho.

Mas a rapaziada romana solteira, chateada com o frio e os chuviscos de Fevereiro, frequentemente  fazia “mobs” e protestava em frente ao prédio colunado e rico (já àquela época) do  Senatus Populusque Romanus com o mote: “queremos a transferência já das  homenagens carnavalescas a Baco do mês  Frebruarius para Quinctillius”. E acrescentavam o refrão (repetido depois sob as mais variadas formas em terras tupiniquins): “solteiros unidos jamais serão vencidos”. E os senadores sempre respondiam: “os cristãos ainda estão servindo de alimento aos leões do Coliseu e o Papa Gregório ainda não nasceu”.

Atordoados com as mudanças introduzidas alguns anos depois pelo primeiro imperador romano, (Adriano não conta), Cesar Augusto (olha o Agosto aí, gente!), consultaram as Pitonisas, a Esfinge e as Cassandras e elas responderam em côro, com voz cavernosa: “aguardem o fim do calendário maia em 2012”...
Bem, aí já é outra estória sobre calendários que poderemos contar (ou não) em 31 de Dezembro do corrente.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Uma experiência musico-sensorial



Felix Mendelssohn Bartholdy é mais popular por sua “Marcha nupcial”, peça abusivamente executada em casamentos, mas seu Concerto em mi para violino e orquestra é uma experiência musical e psicológica muito forte. O 1º movimento desse concerto do judeu Mendelssohn é uma tremenda sacação emocional de certos lances da vida! Prenúncio de drama, de pesadelo. A fala nervosa e irritada dos violinos nas oitavas, discutindo com os celos e oboés alguma problema grave.

Uma sensação de algo pesado e difícil. Sensação de anúncio e escape a algo não muito bom a acontecer. Um sonho ruim de passado que tenta se continuar no presente. “Bad memories” em “present-perfect-tense”.

Ventania e clima alternado frio/quente/carregado.
O céu ameaça cair, qualquer hora a casa cai.
Como vamos ficar? Há abrigos? A quem recorrer?
Mas há soluções à vista.

Cathy, perdida no “O morro dos ventos uivantes”, sozinha, à meia-noite, lá no topo do morro,à beira do abismo .
Difícil equilíbrio shakespeariano entre o ser e o não ser...

Poderia ser alguém de nós, só, às 11 da noite em plena praça do Ferreira em Fortaleza, desfilando liso e desarmado entre marginais com a espada de Dâmocles sobre a cabeça.

Talvez tenha sido isso que Mendelssohn quis passar através da música nesse concerto: uma sensação desagradável que vem à tona rápida, persistente, insistente como um gosto de azinhavre ou de braço de poltrona na boca.

Conselho: pule o primeiro movimento (ou não, para se aliviar no segundo e no finale). O segundo mostra que a tempestade típica de Orlando no verão, mesmo com seus trovões e relâmpagos, era apenas e nada mais que uma simples e passageira chuva. Não caíram coriscos. O vento forte agora é uma brisa leve. Nuvens cinzentas se esfumaçaram.
Há um diálogo calmo entre os instrumentos (interlocutores).  Calmante sem uso de drogas.
O drama pintado era prelúdio de saídas. Soluções aparecem quando menos se espera.
Há que se ter confiança e esperança e o diabo nunca é tão feio como se pinta.
Pode-se pelo menos assobiar, sorrir, nunca gargalhar, mas pelo menos dormir.

O acalanto vem no Finale.
A paz se derrama saltitante, quase gay como Gene Kelly em “Cantando na Chuva”.
Há entendimentos e “insights”, luzes no fim do túnel.
Nada é grave, nada é grande, nada deve perturbar o curso da vida, esta sim, embora curta, deve ser grande. Tudo agora parece pequeno diante da grandeza da vida.
Tudo é superável: climas, situações, problemas, conflitos, preconceitos.
Agora a beleza, a alegria e o consenso falam mais alto.
Até que enfim a catarse. Retorna-se ao “joie-de-vivre”.
Concerto completo de Mendelssohn em Mi menor – uma sessão musical de descarrêgo!


 Quer uma mostra grátis?
Acesse:

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

DNA















Será:
D (eus) NA
terra e nos céus?

D (e) N sA
mente em
Gens
Como
Deusesgens
na
gen te.

Um
Deus-GEN-te
presente em
todos os viventes.

Gen-i-al
logicamente
Gens et Al.

O próprio livro
da vida, o
GEN esis?

(1982, To Watson and Creek)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Conselhos


Não gosto de conselhos, de dá-los ou recebê-los. Raramente aconselho alguém embora em algumas ocasiões gosto de ouvi-los. Guardo-os, mastigo-os, faço uma digestão mental e só após tomo uma decisão a favor ou contra o aconselhado.
Quando os dou, dou conselhos que gostaria de ter recebido em situações semelhantes.
Dou os conselhos que gostaria de dar a mim mesmo. Como disse o matemático e filósofo: tomai como vossos os conselhos que derdes.

Por isso aconselhei algumas vezes a amigos e sinto que o fiz bem e com sentimentos d’ alma. Não fora isso, não o teria feito.

Não aconselho porém a ninguém aconselhar alguém (olha o paradoxo!).
Cada um sabe o caminho que lhe convém, onde o calo aperta e de que jeito aperta, ou como diz o ditado popular: “cada passarinho ao comer pedrinhas sabe o tamanho do anel que tem...”


Aos livros sagrados,sábios e filósofos cabem os melhores conselhos; mas mesmo alguns filósofos antigos, como os epicureus, advertem: "...não peçam conselhos aos deuses (gregos); como eles estão livres  das agitações dos sentimentos, portanto de qualquer sensação de benevolência ou de ódio, jamais influenciariam a vida dos homens. Eles não recompensam nem punem; não se incomodam nem tomam parte do contínuo ir e vir do nascer e perecer cósmico..." 
Assim o próprio Epicuro deixou àqueles que o seguiam a possibilidade de tomar suas próprias decisões sem se aconselhar nem aos deuses! E acrescentou: "nós mesmos somos os guias do nosso próprio destino pois podemos formá-lo com nosso próprio raciocínio.


No mundo moderno, psiquiatras e psicanalistas não aconselham: fazem você se descobrir e descobrir seus caminhos.

Porque acima de tudo, conselhos devem ser frutos de experiência.
Embora nem sempre o mesmo caminho que pode ser bom prá um pode ser ruim ou péssimo para outro. E experiências são profundamente pessoais!

Não fugindo ao chavão, cada um sabe de si. Se alguém está perdido, buscando rumos, mais cedo ou mais tarde poderá se encontrar. Se estiver em dúvida, quem sabe vale se aventurar?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Divagação noturna

Não sei porque, ao ouvir Chopin, percorre-me sempre uma onda de relax pelo corpo, do pé do pescoço ao fim da coluna, dos dedos do pé ao alto do giro frontal!
Uma paz doce e suave como um momento pós orgasmo.

Um Noturno de Chopin ao piano e eu fico a me imaginar no sul da Espanha, em Palma de Majorca, onde as ondas do mar azul do Mediterrâneo se diluem em espumas nas rochas da Costa Brava.

É noite, sentado em um salão iluminado por velas, escuto o barulho do mar misturado ao som dos dedos magros de Frederick ao piano, com George Sand a seu lado, bela e feminina, apesar do nome e das roupas masculinas, acariciando os cabelos de Chopin.

Ao som do Noturno Nº 2, opus 9, sou apenas um espectador virtual, que viaja na imaginação, levado pelas tristezas e preocupações noturnas. A noite mexe com as glândulas e os pensamentos. Apago a luz, me embalo pela tristeza de uma Polonaise e durmo me sonhando numa sala iluminada por lampiões, um candelabro de velas sobre o piano e nós três ao som dedilhado por teclas, levados em turvelinho ao ápice de uma paz surreal.

domingo, 4 de março de 2012

Palavras

As palavras são armas perigosas.
“Parole come veneno”, constata uma canção italiana.
Mais que veneno: faca de dois gumes que pode ferir também quem as atira nos ouvidos do outro.

É preciso ter cuidado com vocábulos que saem de sua boca, além disso, o velho ditado de “faça o que digo e não faça o que faço”, soa falso!
Palavras devem se referir mais a quem as dita do que a quem as escuta. E por palavras, entendam-se opiniões, conselhos, conceitos, maneiras de ver as coisas ou encarar a vida ou julgamentos. Tudo subjetivo.

O mundo julga como se julga o mundo e julgamentos verbais são recíprocos.

As palavras, de tão usadas, tornam-se gastas como roupas coloridas, perdem a cor e a essência.
E às vezes acontece o que disse o compositor francês Claude Debussy, um homem que só falava o essencial: “O falar aberta e demasiadamente é sempre uma fonte de conflitos”.
Ou como dizia Sir Winston Churchill: “as melhores palavras são as mais breves...”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Parêntese para Paulo Mendes Campos

 “E de repente, caminhando nesse dia atribulado de fevereiro, quando todas as amarguras já bebi em minha vida confusa e malbaratada, nem de todo sábio nem de todo bôbo, não tendo outro propósito no espírito senão o de abrir bem os olhos, pegar os objetos, ouvir, provar os vinhos turvos, respirar esse aroma vegetal de outras tardes antigas, receber enfim a dádiva dos sentidos e cumpri-la, aquecendo-me ao sol, molhando-me na chuva, banhando-me no mar...

De repente em meu caminho cruzado por um cego bêbado e crianças de uniforme, imagino, com remorso, que muita gente esperdiça tempo demais a trabalhar sem amor!”

(Extraido de livro de crônicas)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cristovão Colombo não era italiano

Uma das coisas que me surpreendeu quando estive em Barcelona, há alguns anos atrás, foi uma estátua de Cristóvão Colombo, no alto de um pedestal de 50 metros de altura, de costas para a cidade e de frente para a baia do cais de “la Fusta”, apontando para o mar em atitude indicativa! 

Que teria Colombo a ver com Barcelona? Porque os catalães teriam erigido uma efígie em homenagem, segundo a história oficial, a um pretenso italiano de Gênova?
Em um bar nas Ramblas perguntei a um provecto senhor, aparentemente conhecedor das coisas da cidade, porque Colombo estava ali no “moll de la Fusta”, apontando para o Mediterrâneo!
- Colombo não era genovês, era Catalão, respondeu o cidadão. E não está em direção ao mediterrâneo. Aponta para o estreito de Gibraltar. Deste cais ele saiu para o Atlântico em direção à América...
- Mas...
- No más. Punto y basta.

Bosta, pensei eu, e continuei matutando toda vez que me dirigia à região do Port Vell ou à Barceloneta, atravessando a Avenida Colombo ( Paseig de Colón) pela Rambla.

Aquela estátua martelou meu cérebro durante quase 3 anos até que um belo dia, por acaso, abrindo a TV no History Channel e, tchan, tchan, tchan: estava começando um documentário sobre a Teoria Catalã de Cristóvão Colombo!
Não perdi uma vírgula. Ou melhor, perdi porque me esqueci de gravar.

Um doutor em arqueologia e antropologia, professor de uma daquelas famosas universidades americanas, não lembro se Harvard, Stanford ou Yale, Charles Merril investigou minha ( e de inúmeros outros historiadores) insistente pergunta e chegou à conclusão de que Cristóvão Colombo realmente era um catalão que mascarou e escondeu suas origens até à morte.
Seu próprio filho, D.Fernando Colombo, escreveu um livro (em castelhano), “História Del almirante D.Cristóbal Colón”, obscurecendo a pátria e a origem de seu pai, por vontade expressa do seu progenitor.
Segunda pergunta intrigante: por que?


Fatos apresentados pela teoria Catalã:
  • Todos os escritos de Colón, como se intitulava, foram escritos em língua castelã (castelhano), com expressões típicas do coloquial catalão.
  • Até nos seus escritos em latim, língua erudita 
  • daquele período, escreveu com forte influência hispânica e não genovesa.
  • À época a Catalunya pertencia ao reino de Castela e Aragão.
  • Colón era um navegador inimigo de João II, aspirante ao trono de Aragão, contra o qual lutou em várias batalhas navais e depois foi sucedido pelos reis católicos D.Fernando e D.Isabel.
  • Colón permaneceu algum tempo em Portugal, que em meados do século XV ainda pertencia ao reino de Castela e Aragão, tendo se casado com uma fidalga portuguesa.
  • Fidalgos só se casavam com fidalgos e judeus ricos com judias ricas.
  • Após exames de DNA feitos nos ossos de Colombo e do seu irmão, mostrados no documentário, Merril descobriu que Colombo era judeu “sefardi” de acordo também com a tese de outro historiador, Salvador de Madariaga (DE MADARIAGA, Salvador. “Vida del muy magnífico senõr Don Cristóbal Colón”. [S.l.]: Espasa-Calpe, reimpresso em 1975), segundo informação do site Wikipedia.
  • Colón teria ocultado ou mascarado sua verdadeira origem por vários prováveis motivos: queria muito dinheiro dos reis católicos para financiar sua incursão às Américas e, sendo judeu e tendo lutado contra João II, jamais seria admitido à corte de D.Isabel e principalmente para fugir da perseguição da “Santa Inquisição”. Melhor seria ser confundido ou se passar por genovês, uma vez que muitos de seus ascendentes, os Coloms ou Columbus, em latim, seriam judeus sefardi de Gênova, fugidos da perseguição da Inquisição italiana para a Catalunya onde, de acordo com o mesmo Madariaga, teriam se convertido a “novos cristãos”.

Outras teorias foram lançadas, até de alguns historiadores portugueses no começo do século XX de que Colombo seria português...(por ter casado com uma portuguesa?). Bem, aí já é outra estória de português, (não outra história)...




Agora entendo a estátua de Colón do alto de seu pedestal em Barcelona e torço para que essa teoria vá fundo, desmascare a história oficial e revele a verdadeira biografia de um herói, um guerreiro, um desbravador,um homem que mudou o mundo.

Luar sobre Fortaleza

Luar sobre Fortaleza
Praia de Iracema

Lady Godiva

Lady Godiva

Info-Arte

Info-Arte
Verso e reverso

Fotopoema

Fotopoema
Nascimento

Fotopoema2

Fotopoema2
Picasso - Guernica

O Sudoku de Ant.Gaudi no portal da Sagrada Família em Barcelona

O Sudoku de Ant.Gaudi no portal da Sagrada Família em Barcelona
Qualquer soma nas colunas, nas linhas ou em X dá 33: a idade de Cristo na cruz!

Pensamento1

Pensamento1
Fanatismo

Dies irae dies ille

Dies irae dies ille

These foolish things

These foolish things

Tem dias...

Tem dias...
Tem dias!

Wicked game (Kris Izaac)

Wicked game (Kris Izaac)

Babalu

Babalu
Fotopoema

Festival de Natal - Lago Negro - Gramado-RS

Festival de Natal - Lago Negro - Gramado-RS
Nativitaten - um espetáculo que se renova e merece ser visto e revisto!